08/Oct/2026
As chuvas previstas para as próximas semanas devem favorecer o avanço do plantio da soja da safra 2026/27, mas a distribuição da umidade tende a permanecer irregular, com possibilidade de volumes abaixo da média em novembro em áreas das Regiões Centro-Oeste e Nordeste. A Nottus Meteorologia projeta déficit especialmente no norte de Mato Grosso e de Goiás e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) enquanto uma regularização mais ampla das precipitações é esperada a partir de dezembro. O cenário ocorre em meio ao fortalecimento do El Niño, que deve persistir até o outono de 2027 e pode atingir intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Pacífico Leste segue em processo de aquecimento, com a anomalia de temperatura alcançando 2,3°C, conforme dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) divulgados em 5 de outubro.
No curto prazo, os maiores volumes de chuva devem se concentrar na Região Sul entre 7 e 13 de outubro. Entre 14 e 20 de outubro, as precipitações tendem a avançar e ganhar intensidade em um corredor entre o Sudeste e o Norte do País. Essa configuração deve persistir entre 21 e 27 de outubro e, na virada do mês, um corredor de umidade deverá manter as condições favoráveis à ocorrência de chuvas nesse eixo. A configuração climática tende a sustentar a continuidade da semeadura da soja, que alcançava 9,4% da área nacional em 5 de outubro, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em Mato Grosso, as chuvas, principalmente no Médio-Norte, já permitem o avanço do plantio de sequeiro, sobretudo em áreas com solos mais argilosos.
Em Goiás, apesar da irregularidade das precipitações, a elevação da umidade do solo melhorou as condições para a semeadura, com destaque para o sudoeste do Estado. A perspectiva, entretanto, ainda não representa uma regularização uniforme das condições hídricas. Para novembro, a Nottus prevê precipitações volumosas e acima da média no Sul, em São Paulo e em Mato Grosso do Sul. Em contrapartida, os volumes devem ficar abaixo da média no Matopiba, em parte da Região Norte e na metade norte de Minas Gerais, além de Goiás e Mato Grosso. A distribuição regional das chuvas será, portanto, determinante para a evolução do plantio e para o estabelecimento inicial das lavouras nas áreas de maior risco climático.
Uma mudança mais consistente é projetada para dezembro, quando as chuvas devem se tornar mais frequentes entre o Sudeste e o Norte, com acumulados superiores aos observados nos meses anteriores. Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo também devem registrar volumes acima da média. Em janeiro, a precipitação tende a aumentar novamente no corredor entre o Sudeste e o Norte e deverá superar a média também no sul da Bahia e no Tocantins. As temperaturas elevadas representam outro fator de atenção no curto prazo. O predomínio de ar quente é esperado nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste entre 7 e 21 de outubro. Em Goiás, as temperaturas elevadas já são consideradas um fator de risco para as lavouras pela Nottus, mesmo com a melhora observada na umidade do solo.
No milho safra de verão (1ª safra 2026/2027), 30,8% da área nacional estava semeada em 5 de outubro. No Paraná, as condições climáticas são favoráveis e as lavouras apresentam bom desenvolvimento. Em Santa Catarina, o excesso de chuva limita os trabalhos de campo e pode prejudicar o estande em áreas com drenagem deficiente. No Centro-Oeste, o plantio ainda é incipiente em Goiás e tende a ganhar ritmo à medida que as chuvas se consolidarem. Nos Estados Unidos, as condições climáticas também devem continuar favorecendo o avanço da colheita. A Nottus prevê alternância entre períodos de chuva e tempo firme no cinturão produtor nos próximos 15 dias, configuração considerada favorável aos trabalhos de campo.
Em 5 de outubro, a colheita havia alcançado 33% da área de soja e 27% da área de milho norte-americanas. O cenário climático para o início da safra brasileira combina melhora das condições para o avanço do plantio com elevada irregularidade regional das precipitações. A influência do El Niño aumenta a necessidade de monitoramento da distribuição das chuvas, principalmente em novembro, quando déficits no Centro-Oeste e no Matopiba podem limitar a evolução das operações agrícolas e o estabelecimento das lavouras. A perspectiva de maior regularidade a partir de dezembro reduz parte do risco, mas mantém a necessidade de acompanhamento da temperatura e da umidade do solo nas principais regiões produtoras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.