08/Oct/2026
O IGP-DI registrou alta de 1,50% em setembro, a maior taxa desde abril de 2026, após avanço de 0,06% em agosto e duas quedas consecutivas em junho, de 0,79%, e julho, de 0,86%. O resultado reforça um cenário de volatilidade dos preços, com mudança na composição das pressões. Enquanto petróleo e conflitos geopolíticos tiveram papel central no salto registrado em abril, as commodities agrícolas passaram a exercer maior influência sobre o índice em setembro. Em abril, o IGP-DI avançou 2,41%, em meio aos choques relacionados ao petróleo e seus derivados e à turbulência provocada pelo conflito no Oriente Médio. Naquele mês, as matérias-primas brutas registraram alta de 4,27%. Em setembro, a influência do petróleo sobre a formação dos preços perdeu intensidade, embora os repasses ainda permaneçam presentes, enquanto os produtos agropecuários ganharam relevância.
A principal pressão em setembro veio do campo. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% da composição do IGP-DI, acelerou de 0,10% em agosto para 1,95%. Dentro do indicador, as matérias-primas brutas subiram 2,94%, com destaque para commodities agrícolas como soja, farelo de soja e milho. As condições climáticas começam a ganhar importância nas expectativas para os preços agrícolas. O fortalecimento do fenômeno El Niño vem ocorrendo simultaneamente a episódios de chuvas intensas na região Centro-Sul, uma das principais áreas produtoras de alimentos do País. Ainda é prematuro, porém, atribuir diretamente às condições climáticas perdas nas principais safras, uma vez que a soja, por exemplo, ainda não entrou no período principal de colheita.
Até o momento, o impacto ocorre principalmente pela formação das expectativas dos agentes de mercado em relação às condições de produção. O comportamento de alguns alimentos no varejo também evidencia a influência das condições climáticas sobre a oferta e os preços. O tomate registrou altas nos últimos meses associadas à redução da oferta provocada por temperaturas elevadas. Embora esse movimento não possa ser necessariamente relacionado ao El Niño, o comportamento do produto reforça a sensibilidade da produção de alimentos às condições climáticas. No segmento de consumo, outro fator relevante foi o encerramento dos efeitos do Bônus de Itaipu sobre a tarifa residencial de energia elétrica. Com a retirada do desconto, o grupo Habitação passou de queda de 1,21% em agosto para alta de 1,99% em setembro.
Como consequência, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) saiu de uma deflação de 0,37% para uma alta de 0,67%. Para os próximos meses, o câmbio pode contribuir para reduzir parte da pressão sobre os preços das commodities e dos produtos importados. Uma eventual valorização do real tende a diminuir, em moeda doméstica, o custo de produtos e insumos negociados no mercado internacional. Esse efeito, entretanto, poderá ser parcialmente neutralizado pelo comportamento da produção agrícola. Caso as condições climáticas se agravem e provoquem perdas de produtividade, a redução da oferta de produtos agropecuários poderá manter os preços pressionados mesmo em um cenário de câmbio mais favorável.
O peso dos produtos agropecuários na composição do IPA amplia a relevância desse movimento para o atacado, enquanto parte da pressão também pode ser transmitida aos produtos industrializados por meio dos custos de matérias-primas e insumos. Nesse cenário, a trajetória mais provável para o IGP-DI no curto prazo ainda é de taxas elevadas na margem. O comportamento do clima, especialmente com a aproximação do fim do ano, será um dos principais fatores para determinar a intensidade e a duração da pressão sobre os preços agrícolas. Caso as condições climáticas não contribuam para a produção, a desaceleração do IGP-DI poderá ser limitada. Com o resultado de setembro, o IGP-DI acumula alta de 3,80% em 12 meses, a maior variação nessa comparação desde junho de 2025. No acumulado de 2026, o índice registra avanço de 3,72%, o maior resultado desde maio deste ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.