08/Oct/2026
O Brasil precisa preservar relações comerciais equilibradas com Estados Unidos e China, independentemente do resultado da eleição presidencial, diante da crescente complexidade do ambiente internacional e da importância dos dois mercados para o agronegócio. A estratégia externa do País deve priorizar pragmatismo e evitar alinhamentos que possam comprometer o acesso aos principais destinos das exportações brasileiras. O cenário internacional apresenta maior instabilidade, com mudanças nas políticas comerciais tanto dos Estados Unidos quanto da China. Entre os principais fatores estão a utilização de tarifas pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump e alterações promovidas pela China em sua política de abastecimento de proteínas e oleaginosas.
Essas mudanças ampliam a necessidade de o Brasil preservar flexibilidade diplomática e comercial para negociar com os dois principais polos econômicos. No âmbito das relações com a China, o Insper Agro Global mostra que o país asiático busca reduzir sua dependência de soja importada, produto no qual o Brasil é o principal fornecedor. A China absorve cerca de 70% das exportações brasileiras de soja, o que evidencia a elevada concentração das vendas externas brasileiras nesse mercado e, ao mesmo tempo, a relevância do Brasil para o abastecimento chinês. A política chinesa também passou a impor maior pressão sobre as exportações brasileiras de carne bovina.
Desde janeiro de 2026, a China aplica uma cota tarifária de 2,69 milhões de toneladas às importações de carne bovina, com tarifa adicional de 55% sobre o volume excedente, medida que afeta diretamente os fornecedores brasileiros. O movimento indica que a dependência comercial não é unilateral e que a China busca ampliar mecanismos de proteção e diversificação de seu abastecimento. A relação com os Estados Unidos também exige atenção diante da utilização de tarifas como instrumento de política comercial. Para o Brasil, a estratégia deve considerar simultaneamente o acesso ao mercado norte-americano e a manutenção da posição no mercado chinês, evitando que disputas geopolíticas entre as duas maiores economias comprometam a inserção internacional do agronegócio brasileiro. Nesse contexto, a essencialidade dos produtos brasileiros constitui um fator de competitividade.
O Brasil precisa consolidar sua posição não apenas como fornecedor relevante de commodities e proteínas, mas como fornecedor confiável, capaz de assegurar volume, regularidade e preços competitivos para diferentes mercados. Essa combinação reduz o risco associado à concentração das exportações e amplia a capacidade de negociação do País diante de mudanças nas políticas comerciais de seus principais parceiros. A estratégia ganha relevância diante da possibilidade de mudanças na orientação da política externa brasileira após o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Independentemente do governo que assumir, a manutenção de relações funcionais com Estados Unidos e China tende a ser um componente central para o agronegócio, considerando o peso desses mercados sobre as exportações brasileiras e a necessidade de preservar acesso, competitividade e previsibilidade comercial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.