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08/Oct/2026

Brasil pode ampliar parceria tecnológica com China

O Brasil pode ampliar parcerias com a China para incorporar ao campo tecnologias como biotecnologia, drones, inteligência artificial e agricultura de precisão, avançando de uma relação concentrada na venda de commodities para uma cooperação voltada também à solução de gargalos produtivos e tecnológicos. A China tem conseguido ampliar a aplicação de agricultura de precisão, drones e inteligência artificial nas lavouras apoiada por uma estrutura de conectividade rural mais desenvolvida. No Brasil, a cobertura de conectividade no campo ainda apresenta limitações, o que restringe a disseminação dessas tecnologias. A aproximação com empresas chinesas poderia contribuir para acelerar a transferência e a adaptação de tecnologias em áreas como biotecnologia, hardware e drones. A estratégia de relacionamento com a China também pode contribuir para enfrentar limitações de infraestrutura e ampliar o valor agregado das exportações brasileiras.

A expansão das vendas de carnes, frutas e polpa de fruta congelada exige desenvolvimento de cadeias de frio e, em determinados produtos, conexões aéreas mais eficientes, reduzindo a dependência exclusiva do transporte marítimo. Esses investimentos poderiam ampliar a capacidade brasileira de diversificar mercados e produtos e, simultaneamente, reduzir vulnerabilidades associadas à concentração das exportações em poucos produtos e compradores. Outro elemento da experiência chinesa é a aproximação entre pesquisa científica, financiamento e mercado. O modelo permite, inclusive, que pesquisadores participem como sócios de empresas responsáveis pelo desenvolvimento e pela comercialização de tecnologias. A inteligência artificial aplicada a setores específicos vem modificando diferentes segmentos da indústria chinesa, embora ainda seja difícil dimensionar a extensão completa dessas transformações. No Brasil, o Eco Invest Brasil, programa do Ministério da Fazenda, aparece como instrumento com potencial para ampliar investimentos nesse tipo de agenda.

O programa utiliza recursos públicos para atrair capital privado. O quinto leilão, lançado em maio, prevê seis fundos de inovação, cada um com aporte de R$ 1,5 bilhão do Tesouro. Entre as áreas contempladas estão fertilizantes verdes, química verde e combustíveis verdes avançados, com pelo menos três dos fundos apresentando ligação direta com atividades agrícolas. A discussão ocorre em meio aos esforços da China para reduzir sua dependência das importações de soja. A estratégia chinesa busca ampliar a produção doméstica, reduzir a utilização de farelo de soja na alimentação animal e diversificar as fontes de proteína. A redução da dependência de fornecedores externos também ganhou importância diante da concentração das compras e das tensões comerciais observadas durante os governos de Donald Trump. Mesmo com o Brasil permanecendo como fornecedor relevante e confiável de soja para a China, a política de diversificação chinesa reforça a necessidade de o agronegócio brasileiro ampliar o conteúdo tecnológico e o valor agregado de sua relação comercial com o país asiático.

A oportunidade não está apenas na manutenção dos atuais fluxos de commodities, mas na construção de parcerias em tecnologia, infraestrutura, inovação e novos produtos. O investimento chinês na agricultura também está relacionado a questões internas de desenvolvimento regional. A redução da desigualdade entre áreas rurais e centros urbanos é apontada como uma das principais questões sociais da China e contribui para direcionar investimentos em produtividade, tecnologia e modernização do campo. Para o Brasil, a aproximação tecnológica com a China pode complementar a relação comercial já consolidada e contribuir para enfrentar deficiências domésticas em conectividade, infraestrutura logística, cadeia de frio, biotecnologia e mecanização avançada. A combinação entre capital, tecnologia e capacidade de pesquisa chineses e as vantagens brasileiras em recursos naturais, produção agropecuária e disponibilidade de terras pode ampliar a diversificação e a agregação de valor do agronegócio nacional, reduzindo a exposição a uma pauta excessivamente concentrada em commodities. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.