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07/Oct/2026

Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela 1ª vez desde maio

O dólar voltou a recuar nesta terça-feira (06/10) e fechou abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez desde meados de maio, em continuidade ao movimento de valorização do Real iniciado após o primeiro turno das eleições. Depois da queda superior a 4% na sessão anterior, o movimento perdeu intensidade, mas permaneceu favorável à moeda brasileira, com redução dos prêmios de risco domésticos e ambiente externo mais favorável às divisas emergentes. O dólar chegou a romper o piso de R$ 4,95, atingindo mínima de R$ 4,94. No fechamento, a moeda norte-americana recuou 0,52%, para R$ 4,97, menor valor desde 12 de maio, quando havia encerrado a R$ 4,89. Considerando os dois últimos pregões, a queda acumulada alcança 4,62%. No acumulado de 2026, a moeda norte-americana registra perda superior a 9%, enquanto o real ocupa a segunda posição entre as divisas globais de melhor desempenho no ano, atrás apenas do peso colombiano.

A valorização do Real continua associada principalmente à redução dos prêmios de risco incorporados à taxa de câmbio, em especial diante da expectativa de uma eventual agenda de reforma fiscal em um governo liderado por Flávio Bolsonaro. O movimento ganhou força após Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), derrotados no primeiro turno, anunciarem apoio ao candidato do PL, que também busca ampliar sua base política com partidos do Centrão, entre eles o Republicanos. A intensidade da apreciação do Real, entretanto, tende a diminuir após o movimento mais forte registrado no pregão anterior. A realização natural de posições limitou a queda do dólar nesta sessão, sem alterar, até o momento, a direção predominante do câmbio. A perspectiva de continuidade da valorização permanece, mas condicionada à evolução do cenário eleitoral e à capacidade de eventual novo governo de implementar uma agenda fiscal capaz de reduzir de forma estrutural o prêmio de risco.

A composição do Congresso, com maior presença de forças políticas alinhadas à direita, contribui para as expectativas de mudança na política fiscal, mas não garante a aprovação de uma reforma abrangente. Medidas que alterem pisos constitucionais de gastos exigiriam elevada capacidade de articulação política, o que mantém um componente de incerteza nas projeções para o câmbio. A fragmentação do bloco de direita fora do PL também reduz a visibilidade sobre a formação de uma base parlamentar estável para medidas de ajuste fiscal e pró-mercado. No ambiente internacional, o Real também foi favorecido por condições mais positivas para as moedas emergentes. As taxas dos Treasuries recuaram, enquanto a perda de força dos preços do petróleo contribuiu para reduzir as pressões sobre os mercados globais.

O Real, que havia apresentado desempenho muito superior ao das principais moedas internacionais na sessão anterior, teve valorização mais moderada nesta terça-feira (06/10), ficando atrás de moedas como o peso mexicano e o rand sul-africano. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,31%, aos 101,848 pontos. O movimento refletia principalmente a recuperação do euro, que havia sido pressionado nas sessões anteriores pelas preocupações relacionadas à situação fiscal da França. Apesar da queda na sessão, o Dollar Index acumula alta próxima de 0,40% no início de outubro e avanço superior a 3,6% em 2026. A trajetória dos juros nos Estados Unidos permanece como fator de limitação para uma valorização mais acentuada do Real. Apesar da queda dos rendimentos dos Treasuries nesta sessão, o ambiente internacional continua caracterizado por taxas de juros elevadas nas economias desenvolvidas, principalmente nos Estados Unidos.

A economia norte-americana permanece robusta, embora existam sinais de desaceleração no mercado de trabalho, e a perspectiva de novo aumento dos juros norte-americanos tende a reduzir o espaço para apreciação mais intensa das moedas emergentes. Nesse contexto, a trajetória do câmbio brasileiro nos próximos pregões deverá combinar a evolução das expectativas eleitorais e fiscais domésticas com as condições financeiras internacionais. A redução do prêmio de risco pode sustentar o real, mas a manutenção de juros elevados nos Estados Unidos e as dúvidas sobre a capacidade de implementação de uma agenda fiscal restritiva devem limitar movimentos adicionais de valorização mais acelerada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.