07/Oct/2026
A perspectiva de ocorrência de um El Niño de intensidade muito forte entre outubro e dezembro aumenta o risco de baixa umidade do solo para a implantação das lavouras em partes do Centro-Oeste e do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), enquanto a Região Sul pode registrar chuvas acima da média, elevando o risco de doenças nas lavouras. A avaliação considera as condições climáticas previstas para a safra de verão (1ª safra 2026/27). O Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e por outras seis instituições federais, aponta probabilidade de 95% de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Essa configuração poderia resultar no evento mais intenso desde 1950, com persistência prevista até o início de 2027. O El Niño corresponde ao aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e provoca alterações nos padrões de chuva e temperatura no Brasil. O boletim também alerta para intensificação da seca e do risco de incêndios no centro-norte do País.
A configuração climática tende a favorecer chuvas acima da média no Sul e em partes do Sudeste, enquanto Norte, Nordeste e grande parte do Centro-Oeste podem registrar precipitações abaixo da média. As temperaturas devem permanecer acima da média na maior parte do Brasil, com maior destaque para o Centro-Oeste e o Sudeste. Para outubro, a previsão indica chuvas acima do normal no Sul, em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e no sudeste de Minas Gerais, enquanto áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste podem apresentar precipitações abaixo da média. No Centro-Oeste, a distribuição irregular das chuvas pode limitar o avanço da semeadura. Mato Grosso do Sul apresenta condições relativamente mais favoráveis para o início da safra, enquanto Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal podem enfrentar restrições para a implantação das lavouras em razão da baixa umidade do solo. O cenário aumenta a importância da distribuição temporal das precipitações para o ritmo de plantio e para o estabelecimento inicial das culturas de verão.
O Matopiba também permanece entre as regiões de maior atenção. A expectativa de precipitações abaixo da média pode dificultar o estabelecimento das lavouras de verão, aumentar a necessidade de irrigação e elevar a pressão sobre os recursos hídricos. Nesse caso, a regularidade das chuvas passa a ser tão relevante quanto o volume acumulado para a definição do ritmo de implantação das culturas. Na Região Sudeste, São Paulo tende a apresentar condições mais favoráveis ao desenvolvimento inicial das lavouras com a elevação das chuvas. Minas Gerais e Espírito Santo, por outro lado, exigem maior monitoramento em razão da irregularidade das precipitações e das temperaturas elevadas, que podem aumentar a demanda hídrica das culturas. Na Região Sul, a previsão de chuvas acima da média apresenta efeitos positivos sobre a reposição hídrica das lavouras e das pastagens, mas também amplia os riscos operacionais e fitossanitários. O excesso de umidade pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas, dificultar as operações de campo e manter a atenção sobre episódios de cheias localizadas.
Na Região Norte, a combinação entre menor volume de chuvas e temperaturas mais elevadas tende a aumentar a demanda hídrica das culturas e reduzir a disponibilidade de água no solo. Por outro lado, períodos mais secos podem favorecer as operações agrícolas e o avanço da colheita. Para a safra de verão (1ª safra 2026/27), a distribuição regional das chuvas será determinante para o ritmo de implantação e o estabelecimento das lavouras. O principal risco no Centro-Oeste e no Matopiba está associado à irregularidade e à menor disponibilidade hídrica no início do ciclo, enquanto no Sul o excesso de precipitações pode aumentar a pressão sobre doenças e dificultar as operações de campo. A evolução do El Niño até o início de 2027, portanto, deverá ser acompanhada pela capacidade de alterar a disponibilidade hídrica entre as principais regiões produtoras do País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.