ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

07/Oct/2026

RJ é setorial e não representa todo o Agronegócio

O agronegócio não deve ser tratado como um setor homogêneo, e o aumento dos pedidos de recuperação judicial não representa de forma generalizada a situação de todas as cadeias produtivas. As atividades de citros, café, leite, grãos, algodão, agricultura familiar, proteínas, açúcar e etanol apresentam ciclos de commodities, estruturas de governança e níveis de profissionalização distintos, o que exige uma avaliação individualizada das condições de crédito e da saúde financeira de cada segmento. Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio somaram 474 no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% ante os 389 registrados no mesmo período de 2025, segundo dados da Serasa Experian. Entre os produtores rurais pessoa jurídica, foram registrados 196 pedidos, aumento de 73,5%, sendo 137 relacionados ao cultivo de soja. Os produtores rurais pessoa física responderam por 182 pedidos, queda de 6,7%, enquanto as empresas ligadas ao agronegócio somaram 96 solicitações, alta de 18,5%. Mato Grosso concentrou 135 pedidos no período.

A evolução do agronegócio brasileiro nas últimas duas décadas, com crescimento estimado em ritmo equivalente ao dobro do registrado pela economia nacional, ampliou estruturalmente a necessidade de financiamento em toda a cadeia. O aumento da atividade gera demanda por crédito não apenas entre produtores rurais, mas também entre empresas que fornecem insumos, comercializam produtos, industrializam matérias-primas e operam na distribuição e exportação. Como a economia brasileira não avançou na mesma velocidade, foi necessária uma diversificação das fontes de recursos destinadas ao setor. Inicialmente, o financiamento esteve concentrado nos bancos públicos e nos recursos direcionados. Com a expansão das cadeias produtivas, a própria estrutura do agronegócio passou a exercer papel crescente na oferta de crédito. Indústrias, revendas, distribuidoras e tradings passaram a manter carteiras de financiamento aos clientes, em um modelo no qual os produtos são comercializados antecipadamente e o pagamento ocorre meses depois, acompanhando o ciclo produtivo das lavouras e das demais atividades.

Os bancos privados também ampliaram sua participação no financiamento do agronegócio, enquanto o mercado de capitais ganhou relevância ao longo dos últimos 10 a 15 anos. Nesse segmento, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) foram um dos principais instrumentos de expansão, inicialmente concentrados em grandes companhias com maior capacidade de acesso direto aos investidores. A ampliação do mercado de capitais para empresas e produtores de menor porte passa, nesse contexto, pelos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros). O instrumento permite ampliar a participação de investidores no financiamento do agronegócio e levar recursos do mercado de capitais para além das empresas localizadas no topo da estrutura de crédito. Os Fiagros captaram R$ 3,96 bilhões nos quatro primeiros meses de 2026, aumento de 128% em relação ao mesmo período de 2025. Em julho, o patrimônio dos fundos alcançou R$ 65,8 bilhões, distribuído em mais de 1,2 milhão de contas, indicando aumento da participação do mercado de capitais como fonte de recursos para as cadeias do agronegócio.

A perspectiva de longo prazo para o crédito destinado ao agronegócio permanece associada ao crescimento estrutural da demanda mundial por alimentos e biocombustíveis. O Brasil reúne disponibilidade de terra, água e condições climáticas favoráveis à expansão da produção e apresenta capacidade de elevar a oferta com aumento de produtividade. Esse cenário sustenta a expectativa de crescimento da necessidade de crédito em diferentes elos das cadeias produtivas, com participação combinada de recursos públicos, bancos privados e mercado de capitais. A expansão do financiamento tende, portanto, a ocorrer de forma diferenciada entre os segmentos, considerando os ciclos de preços das commodities, a estrutura financeira das empresas, os níveis de governança e profissionalização e a capacidade de cada cadeia de acessar diferentes fontes de recursos. O aumento dos pedidos de recuperação judicial em determinados segmentos não caracteriza, isoladamente, uma crise uniforme de crédito em todo o agronegócio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.