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07/Oct/2026

FPA reelege 66% dos membros que disputaram cargos

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), maior e mais influente bancada do Congresso Nacional, reelegeu ou elegeu para outros cargos 66% dos seus integrantes que disputaram posições no Legislativo em 2026. Dos 279 membros da frente que concorreram a algum cargo no Congresso Nacional, 185 foram eleitos. Considerando também disputas para Assembleias Legislativas e governos estaduais, a FPA contabiliza 215 parlamentares vitoriosos. Atualmente, a FPA reúne 345 parlamentares, sendo 48 senadores e 297 deputados federais. Na Câmara dos Deputados, a frente representa 57,9% do total de parlamentares e participa de comissões estratégicas, como Meio Ambiente, Constituição e Justiça, Relações Exteriores e Agricultura. O resultado eleitoral mantém a perspectiva de forte influência da bancada sobre a agenda relacionada ao agronegócio no Congresso a partir de fevereiro de 2027. O desempenho foi particularmente expressivo no Senado. Das 54 cadeiras em disputa em 2026, 24 foram conquistadas por parlamentares vinculados à bancada do agro na Câmara dos Deputados, o equivalente a um em cada três senadores eleitos.

Sem considerar novas adesões, a FPA deverá manter pelo menos 40 cadeiras no Senado, resultado que inclui seis senadores reeleitos entre os 18 integrantes da frente que disputavam a renovação dos mandatos. Também foram eleitos senadores 18 deputados federais da FPA, de um total de 32 que concorreram ao Senado. Entre os eleitos estão Zé Medeiros (PL-MT), Arthur Lira (PP-AL), Bia Kicis (PL-DF), Evair de Melo (Republicanos-ES), Gustavo Gayer (PL-GO), André Fufuca (PP-MA), Carlos Jordy (PL-RJ), Marcel van Hattem (Novo-RS), Domingos Sávio (PL-MG), Carol de Toni (PL-SC) e Guilherme Derrite (PP-SP). A bancada conta ainda com 18 senadores com mandato até 2031, entre eles a vice-presidente da FPA no Senado, Tereza Cristina (PP-MS), e Jaime Bagattoli (PL-RO). Três desses parlamentares, porém, deixarão o Senado em razão da eleição para governos estaduais: Sergio Moro (PL-PR), Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e Marcos Rogério (PL-RO). Com a nova composição do Senado a partir de 1º de fevereiro de 2027, a FPA já identificou 15 senadores eleitos considerados alinhados às pautas do setor.

A projeção da frente é ampliar sua representação para uma faixa entre 50 e 55 senadores em 2027. Na Câmara dos Deputados, 261 dos atuais 297 integrantes da FPA disputaram a reeleição, e 179 foram reeleitos. Entre os parlamentares mais votados em seus Estados estão as deputadas Coronel Fernanda (PL-MT), que tem entre suas principais bandeiras o fim da moratória da soja, e Julia Zanatta (PL-SC). O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), também foi reeleito, assim como Zé Vitor (PL-MG), apontado como um dos nomes cotados para suceder Lupion na presidência da frente a partir de 2027. Para alcançar maioria na Câmara, a FPA precisaria agregar a adesão de 78 novos deputados. A frente estima que poderá reunir cerca de 330 deputados a partir de fevereiro de 2027, considerando os parlamentares que assumirão novo mandato e apresentam alinhamento com pautas do agronegócio. A influência da bancada também se ampliou nos governos estaduais.

Quatro candidatos ligados à agropecuária foram eleitos no primeiro turno: Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais; Sergio Moro (PL), no Paraná; Marcos Rogério (PL), em Rondônia; e Luciano Zucco (PL), no Rio Grande do Sul. No Acre, o segundo turno terá o senador Alan Rick (Republicanos), enquanto em Tocantins disputam a segunda etapa a senadora Professora Dorinha (União Brasil) e o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB). Em Mato Grosso, a vice-governadora eleita Gisela Simona (União) integra a FPA como deputada. A reconfiguração da bancada deve combinar a elevada taxa de reeleição com a entrada de novos parlamentares alinhados às pautas do setor e a ampliação da representação no Senado. A direção da FPA associa o desempenho eleitoral à defesa de pautas relacionadas ao agronegócio e ao posicionamento político predominante entre seus integrantes, situado no espectro de centro-direita a direita. Entre os temas defendidos pela frente estão a redução dos gastos públicos, além de uma agenda econômica e regulatória considerada favorável ao setor agropecuário.

A bancada também trabalha para que Tereza Cristina seja candidata à presidência do Senado. Apesar do elevado índice de conversão eleitoral, a FPA perderá nomes relevantes no Congresso. Na Câmara, o vice-presidente da frente, Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), não disputou a eleição e deixará o Legislativo em fevereiro. Luiz Nishimori (PSD-PR), também vice-presidente da FPA na Câmara e presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, não foi reeleito e ficou como suplente. Ana Paula Leão (PP-MG), presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite, também não alcançou a reeleição e ficou entre as suplentes de Minas Gerais. O ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro e deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) desistiu da candidatura ao Senado por São Paulo e ficará fora da Câmara. Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR), que também atuava na FPA, não concorreu a novo mandato. Nelson Barbudo (Podemos-MT) e Zé Silva (União-MG) não conseguiram garantir a permanência na Câmara.

No Senado, Irajá (PSD-TO), Jayme Campos (União-MT) e Luis Carlos Heinze (PP-RS) não disputaram a eleição e deixarão seus mandatos em fevereiro. Zequinha Marinho (Podemos-PA), presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, e Esperidião Amin (PP-SC) não conseguiram renovar os mandatos. Em contrapartida, integrantes da diretoria e parlamentares com atuação em pautas consideradas estratégicas para o agronegócio garantiram a continuidade no Congresso. Além de Lupion e Zé Vitor, o ex-presidente da FPA e integrante da diretoria Sérgio Souza (MDB-PR) foi reeleito. Alceu Moreira (MDB-RS), com atuação em temas relacionados ao biodiesel, também garantiu novo mandato, assim como Afonso Hamm (PP-RS), relator do projeto de lei de securitização das dívidas rurais. Marussa Boldrin (Republicanos-GO), Rafael Pezenti (MDB-SC) e Tião Medeiros (PP-PR) completam a relação de lideranças reeleitas. A FPA também identifica espaço para incorporar novos nomes entre os eleitos. Entre os parlamentares considerados potenciais integrantes estão o ex-secretário de Agricultura de São Paulo Guilherme Piai (Republicanos-SP) e Thiago Boava Hey Roy (PL-MT).

Os ex-presidentes da FPA e ex-deputados federais Nilson Leitão (PP-MT) e Néri Geller (Podemos-MT) ficaram como suplentes e poderão retornar à bancada caso assumam os respectivos cargos. No Senado, Gracinha Caiado (União), ex-primeira-dama de Goiás, aparece entre os nomes considerados para integrar a nova composição. O histórico das últimas eleições reforça a possibilidade de recomposição e ampliação da FPA. Em 2018, cerca de 40% dos integrantes da frente não foram reeleitos, em meio ao processo de renovação do Congresso. Em 2022, a taxa de não reeleição ficou em 25%. Mesmo após essas mudanças, a bancada iniciou 2019 com 280 parlamentares, acima dos 250 integrantes contabilizados antes das eleições de 2018, e iniciou 2023 com 344 parlamentares. O resultado de 2026 indica novamente elevada capacidade de recomposição e manutenção de influência política, com potencial de crescimento da representação do agronegócio no Congresso Nacional e nos governos estaduais a partir de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.