07/Oct/2026
Segundo estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), o aumento do custo de vida provocado pela elevação dos preços de energia e alimentos tem afetado consumidores em diferentes países, mas as respostas adotadas pelos governos apresentam diferenças relevantes em termos de eficiência fiscal. Transferências de renda direcionadas às famílias mais vulneráveis tendem a oferecer maior proteção com menor custo para as contas públicas do que subsídios amplos ou medidas destinadas à supressão generalizada de preços. A análise considera medidas adotadas em 76 países entre 1996 e 2025. O estudo conclui que subsídios e outras políticas amplas de controle ou redução de preços são onerosos e pouco eficientes para proteger as famílias mais vulneráveis, pois uma parcela relevante dos benefícios alcança consumidores que necessitam de menor nível de apoio. Para proporcionar grau semelhante de proteção às famílias vulneráveis, medidas de supressão de preços podem exigir entre 3 e 22 vezes mais recursos fiscais do que programas de suporte de renda direcionado.
A diferença evidencia o maior custo orçamentário de políticas universais em comparação com mecanismos focalizados, principalmente em países com menor espaço fiscal. Subsídios podem reduzir, no curto prazo, os efeitos do aumento dos preços sobre a inflação geral e limitar efeitos secundários quando as expectativas inflacionárias estão pouco ancoradas. Entretanto, o benefício é distribuído de forma ampla e parte significativa dos recursos públicos é destinada a famílias que apresentam menor necessidade de proteção, elevando o esforço fiscal necessário para conter os impactos sobre os consumidores. Os ganhos associados à redução imediata dos preços, segundo o estudo, geralmente não compensam os custos de médio prazo decorrentes do aumento da dívida pública e da necessidade posterior de ajuste fiscal. Os subsídios aos produtores são considerados particularmente ineficientes, porque parte dos benefícios pode ser transferida para o exterior por meio de preços de exportação menores praticados por indústrias a jusante.
Outro fator de risco está relacionado à duração dos programas. Uma vez implantados, os subsídios tendem a apresentar elevada dificuldade política para serem retirados, o que pode prolongar o impacto sobre as contas públicas e ampliar as distorções de preços provocadas pelas intervenções. Dessa forma, os programas podem gerar vulnerabilidades fiscais que ultrapassam o custo orçamentário inicialmente previsto. O estudo aponta que transferências direcionadas à população mais vulnerável, implementadas por período predeterminado, são mais eficientes para enfrentar choques de custo de vida e permitem maior controle sobre o impacto fiscal. A estratégia ganha importância principalmente em países com situação fiscal mais frágil, nos quais a capacidade de ampliar o endividamento é limitada. Transferências direcionadas ainda podem oferecer proteção adequada às famílias vulneráveis em países de baixa renda, mesmo quando os governos não conseguem emitir dívida e precisam financiar o apoio por meio de aumento da arrecadação doméstica.
Quando os mesmos recursos fiscais são destinados a subsídios ao consumidor, os ganhos de bem-estar tendem a ser reduzidos ou inexistentes. O FMI recomenda que, quando necessária, a assistência seja temporária e operacionalizada por meio de sistemas de proteção social já existentes. Medidas amplas de supressão de preços deveriam ser reservadas para circunstâncias excepcionais, nas quais os choques sejam particularmente severos e disruptivos e exista espaço fiscal suficiente para absorver o custo das políticas. As crises de custo de vida são classificadas como eventos relativamente infrequentes, mas com efeitos persistentes sobre preços relativos, salários reais e expectativas de inflação. Entre 2005 e 2025, 75 das 85 economias analisadas registraram pelo menos uma crise de custo de vida, enquanto 46% do total enfrentou ao menos duas ocorrências no período. A natureza inelástica da demanda por produtos básicos faz com que mesmo choques temporários provoquem perdas de bem-estar.
A elevação abrupta dos preços relativos tende a permanecer por vários trimestres, atingindo o pico aproximadamente um ano e meio após o início do choque. Mesmo três anos após o início de uma crise, os preços médios permanecem aproximadamente 7% acima dos níveis observados em economias que não enfrentaram o mesmo tipo de choque. Essa persistência da diferença de preços reduz os salários reais em termos relativos e compromete o poder de compra dos consumidores. Os salários reais ficam cerca de 3% abaixo dos níveis registrados antes da crise. O efeito evidencia que choques de custo de vida não se restringem ao aumento temporário dos preços, mas podem provocar perda persistente de renda real e de poder de compra, reforçando a importância de políticas de proteção social focalizadas e fiscalmente sustentáveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.