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07/Oct/2026

América Latina: projeção de crescimento em 2026

O Banco Mundial manteve em 2,2% a projeção de crescimento da América Latina e do Caribe em 2026, repetindo a estimativa divulgada em junho. O desempenho projetado fica abaixo da expansão de 2,4% registrada em 2025, mas indica continuidade da resiliência da região diante de choques externos. A sustentação do crescimento regional está associada aos preços ainda elevados das commodities, que favorecem os países exportadores, e à resistência das exportações industriais mesmo em um ambiente de maior volatilidade da política comercial internacional. Condições financeiras globais mais favoráveis também contribuíram para dar suporte à atividade econômica no início de 2026. Esse conjunto de fatores, contudo, é limitado pela elevada incerteza no cenário internacional, pelo reduzido espaço fiscal dos governos e pela permanência de juros reais em níveis elevados.

Essas condições restringem a expansão do crédito, o investimento e a demanda privada, dificultando uma aceleração mais consistente do crescimento regional. O Banco Mundial também identifica riscos de baixa para a atividade econômica. Entre eles estão a volatilidade dos preços de energia, que pode dificultar ou atrasar o processo de desinflação, e os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção e os preços de alimentos e energia. Para as economias latino-americanas exportadoras de commodities, a manutenção de preços internacionais relativamente elevados continua funcionando como fator de sustentação da renda externa. Entretanto, a combinação entre juros reais elevados, menor espaço fiscal e incerteza comercial mantém limitada a capacidade de expansão da demanda doméstica. O desempenho da região em 2026, portanto, tende a permanecer condicionado pelo equilíbrio entre o suporte proporcionado pelas commodities e pelas exportações e as restrições financeiras e fiscais internas.

O comportamento dos preços de energia, a evolução da inflação e os impactos climáticos associados ao El Niño permanecem entre as principais variáveis de risco para a atividade econômica da América Latina e do Caribe. O Banco Mundial afirmou que países da América Latina e do Caribe com políticas macroeconômicas consistentes, instituições mais fortes e reformas estruturais vêm mostrando que a região pode crescer acima da média, apesar de um cenário ainda marcado por juros altos e incerteza global. Destaque para El Salvador e Paraguai, apoiados por melhora nas condições de segurança, consolidação fiscal e investimento privado. Panamá e República Dominicana também sustentam expansão robusta, enquanto a Argentina deve crescer por três anos consecutivos entre 2025 e 2027, pela primeira vez em quase duas décadas, com apoio do ajuste fiscal, de reformas tributárias e de maior abertura econômica.

A inteligência artificial (IA) é um possível vetor de produtividade, mas a adoção ainda é superficial. Cerca de 17% dos adultos em idade ativa na região usam ferramentas de IA generativa, aproximadamente metade da taxa observada nos Estados Unidos e no Canadá. As principais barreiras não são custo ou acesso, mas capacidade gerencial, qualificação da mão de obra e reorganização das empresas. Cerca de 8% da força de trabalho está em ocupações qualificadas que podem ser potencializadas pela IA, enquanto perto de 10% atua em funções cognitivas rotineiras mais expostas à automação. Em uma segunda etapa, a queda do custo da automação física pode atingir cerca de um quarto dos trabalhadores em função manuais rotineiras. Entre os riscos, o Banco Mundial cita volatilidade dos preços de energia, dívida elevada, juros reais altos e possíveis impactos do El Niño sobre agricultura e geração hidrelétrica. Ao fim, manteve em 2,2% a projeção de crescimento da América Latina e do Caribe em 2026, após 2,4% em 2025. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.