07/Oct/2026
O Banco Mundial projeta retração de 2,1% em 2026 para a economia do Oriente Médio, Norte da África, Afeganistão e Paquistão, após crescimento de 3,3% em 2025. A deterioração está associada aos efeitos da guerra iniciada em fevereiro e ao fechamento do Estreito de Ormuz. Em junho, a projeção de crescimento era de 1,6% para a região neste ano, o que representa uma revisão de 3,7%. O impacto do conflito apresenta uma característica diferente de episódios anteriores de choque nos mercados de energia. Segundo o Banco Mundial, os maiores custos econômicos recaem desta vez sobre os países exportadores de petróleo do Golfo, devido à redução dos volumes exportados, à perda de receitas públicas e aos efeitos sobre atividades diretamente dependentes da circulação regional e internacional de pessoas e mercadorias.
As economias integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) devem registrar retração média de 4,3% em 2026, ante a previsão de crescimento de 1,3% apresentada em junho. A queda reflete principalmente a redução das exportações, a menor arrecadação pública e os impactos sobre turismo, aviação e logística, setores diretamente afetados pelas restrições de transporte e pela elevação dos riscos associados ao conflito. O fechamento do Estreito de Ormuz também amplia os efeitos sobre a inflação global, especialmente por meio dos alimentos. As interrupções no transporte marítimo aumentam os custos de importação e pressionam as cadeias de suprimentos, elevando o risco de repasse para preços de alimentos e outros produtos. O aumento dos custos logísticos ocorre simultaneamente à menor disponibilidade de determinados fluxos comerciais, ampliando a pressão sobre os mercados consumidores.
Caso o conflito diminua até o fim de 2026, o Banco Mundial projeta uma recuperação expressiva do crescimento regional, excluindo o Irã, para 7,8% em 2027. A retomada seria sustentada principalmente pela recuperação da produção e das exportações de hidrocarbonetos, permitindo recomposição parcial da atividade econômica e das receitas externas dos países afetados. A recuperação, contudo, poderá ser limitada pelos danos provocados à infraestrutura, pelos investimentos adiados durante o conflito e pelo enfraquecimento dos colchões fiscais. A menor capacidade de utilização de recursos públicos reduz o espaço para políticas de estímulo e pode prolongar os efeitos econômicos mesmo após uma eventual redução das hostilidades. No médio prazo, o Banco Mundial identifica a inteligência artificial (IA) como potencial vetor de aumento da produtividade na região formada pelo Oriente Médio, Norte da África, Afeganistão e Paquistão.
Menos de 10% dos empregos estariam expostos a risco de automação no curto prazo, enquanto entre 13% e 20% das ocupações apresentam potencial relevante de ganhos de produtividade com a adoção de ferramentas de inteligência artificial. A trajetória econômica da região permanece, portanto, condicionada à evolução do conflito, à normalização dos fluxos pelo Estreito de Ormuz e à capacidade de recuperação da produção de hidrocarbonetos. No curto prazo, os principais canais de transmissão são a queda das exportações, a redução das receitas públicas, a interrupção do transporte e a pressão sobre alimentos e cadeias de suprimentos. No médio prazo, a reconstrução da infraestrutura, a retomada dos investimentos e o aumento da produtividade poderão determinar a velocidade da recuperação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.