06/Oct/2026
O dólar encerrou a sessão desta segunda-feira (05/10) em forte baixa de 4,12%, a R$ 5,00, em reação direta ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil, que colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A cotação representou o menor fechamento desde 21 de maio. Com o movimento, o dólar passou a acumular queda de 8,87% no ano. O movimento cambial refletiu uma forte reprecificação dos ativos brasileiros após a definição da disputa em segundo turno, marcado para 25 de outubro. Na abertura dos negócios, o dólar chegou a operar abaixo de R$ 5,00, com queda superior a 4%. A reação dos mercados também ocorreu nos juros e na Bolsa, indicando redução inicial do prêmio de risco atribuído aos ativos brasileiros. As taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) de longo prazo recuaram, enquanto o Ibovespa futuro registrava valorização. Ao longo do pregão, o Ibovespa chegou a superar pela primeira vez a marca de 200 mil pontos, enquanto o ETF EWZ, que reúne ações brasileiras negociadas na Bolsa de Nova York, avançava mais de 12% no exterior.
O resultado eleitoral alterou a percepção dos investidores sobre a trajetória potencial da política econômica e fiscal. A liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, combinada com a expectativa de um Congresso de perfil mais conservador, passou a ser interpretada pelo mercado como um fator potencialmente favorável à aprovação de reformas e medidas de contenção das contas públicas. Esse cenário reduziu inicialmente o prêmio de risco exigido pelos investidores e favoreceu simultaneamente a valorização do Real, a alta dos ativos de renda variável e a queda dos juros futuros. A forte valorização do Real ocorre em um ambiente externo que não oferece o mesmo suporte ao movimento. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas mantinha valorização próxima de 0,2%. Os Treasuries de longo prazo também permaneciam em níveis elevados, indicando que a queda da moeda norte-americana no Brasil esteve predominantemente associada à reprecificação do risco doméstico, e não a um movimento global de enfraquecimento do dólar.
O Banco Central manteve sua atuação regular no mercado cambial, com leilão de rolagem de swap cambial envolvendo 50 mil contratos para 3 de novembro. A operação ocorreu em um momento de forte valorização do Real e contribuiu para a manutenção da liquidez do mercado de derivativos, embora o principal vetor da sessão tenha sido a mudança das expectativas eleitorais. Para o agronegócio brasileiro, a valorização do Real produz efeitos ambivalentes. No curto prazo, reduz a conversão em Reais das receitas de exportadores de soja, milho, café, açúcar, carnes e demais commodities cotadas em dólar, podendo limitar a remuneração do produtor e reduzir o incentivo à fixação de vendas externas. Ao mesmo tempo, diminui os custos domésticos de produtos e insumos com preços vinculados ao dólar, especialmente fertilizantes, defensivos, combustíveis e componentes importados, além de aliviar parte da pressão sobre o custo financeiro e logístico associado às importações.
No mercado de commodities agrícolas, portanto, a manutenção de um câmbio próximo de R$ 5,00 tende a deslocar parte da formação dos preços internos para os fundamentos internacionais de oferta e demanda. Para produtores e empresas exportadoras, a combinação entre câmbio valorizado e preços internacionais passa a ser determinante para a margem de comercialização e para o ritmo de fixação antecipada da produção. A forte queda do dólar também reforça a importância da trajetória eleitoral nas decisões de comercialização do agronegócio ao longo das próximas semanas. Como o segundo turno está marcado para 25 de outubro, o câmbio tende a permanecer sensível às pesquisas, à formação de alianças, às propostas fiscais e à percepção de risco associada ao futuro governo. O movimento de 5 de outubro representa, portanto, uma importante reprecificação inicial dos ativos brasileiros, mas não necessariamente estabelece uma nova trajetória estrutural para o Real até a definição eleitoral. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.