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06/Oct/2026

Geopolítica e exigências ambientais pressionam Agro

As transformações na ordem geopolítica global e o avanço das exigências ambientais, sanitárias e de rastreabilidade estão reconfigurando as cadeias internacionais de suprimentos e ampliando a importância de critérios não tarifários no comércio exterior do agronegócio. Nesse cenário, a disputa por mercados globais passa a incorporar, além de preço e volume, a capacidade de comprovar origem, conformidade sanitária e sustentabilidade dos produtos. Para preservar posições consolidadas e abrir novas frentes de exportação, o agronegócio brasileiro precisa atuar de forma mais coordenada e utilizar sua capacidade de produção sustentável como instrumento de negociação comercial. O avanço de regulações sanitárias e ambientais, associado à exigência de sistemas de rastreabilidade, tende a aumentar a complexidade e os custos de acesso aos mercados internacionais, ao mesmo tempo em que amplia a necessidade de atuação diplomática para estabelecer parâmetros de implementação considerados razoáveis.

A Academia Latino-Americana do Agro (Alagro) avalia que o uso intensivo de regulações sanitárias e ambientais representa uma mudança nas relações bilaterais e pode funcionar, em determinadas situações, como barreira não tarifária. Sistemas de monitoramento e rastreabilidade ponta a ponta na pecuária e na agricultura passaram a ser condicionantes para o acesso a mercados compradores mais exigentes, principalmente quando vinculados à comprovação da origem e da conformidade dos produtos. Embora essas ferramentas sejam necessárias para validar o atendimento às exigências dos mercados importadores, sua implementação eleva os custos operacionais de produtores e agroindústrias. A ampliação dos mecanismos de controle, monitoramento e certificação exige investimentos em tecnologia, processos e gestão, aumentando a estrutura necessária para manter a habilitação comercial em mercados externos.

Nesse contexto, a capacidade de negociação do Brasil ganha importância para evitar que exigências unilaterais ou parâmetros excessivamente restritivos comprometam a competitividade das exportações. O fortalecimento institucional da diplomacia brasileira é apontado como necessário para a pactuação de critérios e períodos de transição considerados razoáveis, reduzindo o risco de que requisitos ambientais, sanitários e de rastreabilidade sejam utilizados de forma desproporcional no comércio internacional. Na proteína animal, a capacidade brasileira de manter o fornecimento mesmo em períodos de instabilidade internacional amplia a relevância estratégica do País. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) considera que a produção brasileira de alimentos ultrapassou a função exclusivamente comercial e passou a representar um vetor de estabilidade geopolítica global.

Mesmo diante de conflitos e instabilidades internacionais, incluindo as tensões no Oriente Médio, a logística e os embarques brasileiros de carne bovina, suína e de frango mantiveram continuidade, contribuindo para o abastecimento de países diretamente envolvidos em crises. A previsibilidade da oferta brasileira reforça o peso estratégico do País como fornecedor global de proteína animal e amplia seu potencial de utilização dessa capacidade nas negociações multilaterais. A combinação entre produção em escala, continuidade logística, capacidade de abastecimento e adoção de mecanismos de rastreabilidade e sustentabilidade tende, portanto, a ganhar importância na competitividade internacional do agronegócio brasileiro. Em um ambiente de maior fragmentação geopolítica e de expansão das barreiras não tarifárias, a capacidade de demonstrar conformidade ambiental e sanitária passa a constituir não apenas requisito de acesso, mas também ativo estratégico de negociação comercial. Fonte: Agrimídia. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.