06/Oct/2026
Segundo a StoneX, a intensidade do Super El Niño tem concentrado as atenções do mercado, com projeções de um evento recorde ou excepcionalmente forte. Para a oferta global de alimentos, porém, o momento de ocorrência do fenômeno pode ser mais determinante do que sua intensidade, uma vez que os efeitos sobre as lavouras variam conforme o estágio do ciclo agrícola em cada região produtora. As projeções meteorológicas indicam aumento da intensidade do El Niño entre outubro e dezembro, com possíveis efeitos que podem se estender até março. Nesse intervalo, diferentes culturas estarão expostas ao fenômeno em momentos distintos. As principais áreas de atenção incluem o trigo na Austrália, a soja e o milho no Brasil e o trigo no Norte da Europa. Na Austrália, o calendário do trigo reduz, neste momento, os riscos associados ao El Niño. A colheita ocorre entre outubro e dezembro e condições mais secas durante esse período tendem a favorecer o avanço dos trabalhos no campo, sem necessariamente comprometer a produtividade.
Projeções anteriores chegaram a indicar possibilidade de queda de até 50% na produção em relação à temporada anterior, mas estimativas posteriores ficaram acima desses cenários mais negativos. Chuvas favoráveis no início da temporada, combinadas à aplicação de fertilizantes, contribuíram para uma evolução mais positiva das lavouras. Dessa forma, a janela em que o El Niño poderia provocar perdas significativas no trigo australiano pode já estar próxima do encerramento. No Brasil, o risco climático é considerado maior, pois as lavouras de soja e milho estarão expostas ao período de maior influência potencial do fenômeno. Um padrão de tempo seco e quente entre janeiro e março poderá afetar a safra de verão (1ª safra 2026/2027) de milho, a 2ª safra de 2027 e a soja. Apesar da existência de cenários com perdas expressivas, a maior parte das estimativas ainda aponta para produção em níveis recordes. A distribuição das condições climáticas no Brasil é considerada uma das principais incógnitas para a temporada 2026/27.
O período entre janeiro e março será decisivo, principalmente caso a persistência de condições secas provoque impactos sobre o desenvolvimento das culturas e leve à revisão das estimativas de produção. No Norte da Europa, o principal risco relacionado ao El Niño deverá ocorrer mais tarde, entre abril e junho, e estará concentrado principalmente na qualidade do trigo, e não necessariamente no volume produzido. Chuvas acima do normal ou fora de época nesse período poderão elevar os riscos para a qualidade dos grãos, com possíveis impactos sobre sua classificação e utilização. Nos Estados Unidos, por outro lado, as condições mais úmidas associadas ao El Niño tendem a beneficiar o trigo de inverno cultivado no Kansas, reduzindo o risco climático para a cultura nessa região. O cenário reforça que os efeitos do Super El Niño sobre a oferta global de grãos não serão uniformes e dependerão da combinação entre intensidade, duração, distribuição das chuvas e estágio fenológico das culturas. Para o mercado, o Brasil concentra uma das principais áreas de incerteza, especialmente pela exposição simultânea de soja e milho ao período de maior potencial de influência do fenômeno entre janeiro e março. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.