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06/Oct/2026

Estreito de Ormuz: risco de crise global de alimentos

As interrupções no Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica para o comércio no Oriente Médio, já provocaram um choque no mercado de energia e ampliam o risco de uma crise global de segurança alimentar, segundo avaliação da Câmara de Comércio Internacional (ICC). O conflito entre Irã e Estados Unidos, que se prolonga há meses, reduziu o fluxo de mercadorias pelo estreito, importante corredor para países que dependem da importação de insumos críticos, como fertilizantes e gás natural. Embora a alta do petróleo concentre grande parte das atenções, o impacto sobre o abastecimento de fertilizantes representa um risco adicional para a produção agrícola mundial.

Cerca de um terço das remessas globais de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz. A interrupção do fluxo teria reduzido em quase 40% a capacidade disponível de fertilizantes desde o início das restrições, retirando aproximadamente 2,7 milhões de toneladas do mercado. A redução da oferta de fertilizantes pode gerar efeitos em cadeia sobre os custos de produção agrícola, a produtividade das lavouras e os preços dos alimentos. Nesse cenário, os preços dos cereais poderão registrar alta de até 80%. As economias emergentes e em desenvolvimento estariam entre as mais expostas aos impactos, especialmente os países com elevada dependência de importações de fertilizantes.

As Filipinas são citadas como exemplo de vulnerabilidade, com importações equivalentes a cerca de 90% dos fertilizantes consumidos no país. O risco para a oferta global de alimentos é agravado por outros fatores de restrição ao comércio e à produção agrícola. As interrupções recorrentes no Mar Negro, decorrentes dos ataques envolvendo Rússia e Ucrânia, continuam afetando uma importante rota internacional de commodities. Paralelamente, eventos climáticos severos associados ao El Niño podem prejudicar as colheitas em diferentes regiões produtoras, elevando os preços agrícolas e pressionando a inflação de alimentos.

A ICC participa de uma força-tarefa da Organização das Nações Unidas (ONU) voltada à busca de uma solução para a reabertura do Estreito de Ormuz. A entidade, que representa 45 milhões de empresas em mais de 170 países, trabalha com agências da ONU e com a Organização Marítima Internacional (OMI) em uma proposta para transferir temporariamente a governança do estreito ao secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. O mecanismo, apresentado em julho, prevê monitoramento, inspeções, seguros marítimos e protocolos destinados a permitir um trânsito seguro e ordenado de embarcações pelo Estreito de Ormuz.

A proposta conta com apoio de vários países-membros da ONU, inclusive no Sudeste Asiático, mas permanece sem implementação devido à ausência de acordo político entre Estados Unidos e Irã. A evolução do conflito em Ormuz passa, portanto, a representar um fator de risco não apenas para os mercados de petróleo e gás natural, mas também para a disponibilidade e os preços de fertilizantes, com potenciais efeitos sobre os custos de produção agrícola, a oferta mundial de grãos e a inflação de alimentos. A combinação entre restrições logísticas, menor disponibilidade de insumos, instabilidade no Mar Negro e efeitos climáticos do El Niño amplia a possibilidade de pressão simultânea sobre oferta e preços das commodities agrícolas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.