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05/Oct/2026

Grãos: projeção para os preços no 4º trimestre/2026

Segundo a Hedgepoint, a demanda por biodiesel nos Estados Unidos e as compras chinesas de soja norte-americana estão entre os principais fatores de sustentação dos preços da oleaginosa no quarto trimestre. Ao mesmo tempo, o fortalecimento do fenômeno El Niño amplia os riscos para a oferta sul-americana. O padrão climático pode favorecer as lavouras de soja e milho no Sul do Brasil e na Argentina, mas elevar o risco de déficit hídrico no Centro-Norte brasileiro. Nos Estados Unidos, o consumo de biocombustíveis estimula o processamento da soja. A forte demanda por biodiesel vem impulsionando o esmagamento no país, enquanto o aumento da mistura de biocombustíveis e as compras chinesas deram suporte às cotações no terceiro trimestre. Esses dois fatores permanecem entre os principais elementos de sustentação para os preços nos próximos meses. O óleo de soja também recebeu suporte das cotações do petróleo.

Os conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã, além da guerra entre Rússia e Ucrânia, contribuíram para manter os preços da matéria-prima energética em níveis elevados. Embora as cotações tenham recuado em relação ao pico registrado durante a guerra, o petróleo era negociado entre US$ 95,00 e US$ 105,00 por barril no início de setembro. No mercado agrícola, a principal preocupação climática está relacionada à distribuição das chuvas. A ocorrência de um El Niño muito forte aumenta os riscos para as commodities agrícolas. A probabilidade é de 98% para um evento dessa intensidade entre outubro e dezembro e de 93% entre novembro e janeiro de 2027. A probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte diminui nos períodos seguintes, para 75% entre dezembro e fevereiro e 39% entre janeiro e março. A redução da probabilidade, contudo, não representa o desaparecimento do fenômeno. No período de janeiro a março, a categoria de El Niño forte também apresenta probabilidade de 39%.

Os efeitos do fenômeno devem variar de acordo com a região e a cultura. As condições climáticas associadas ao El Niño podem favorecer a soja e o milho na Região Sul do Brasil e na Argentina. Para o trigo argentino, porém, há risco de excesso de chuvas durante a colheita, com possibilidade de perdas de qualidade. No Centro-Norte do Brasil, a principal ameaça para soja e milho safra de verão (1ª safra 2026/2027) está relacionada à menor disponibilidade de umidade. No mercado de milho, a demanda pelo produto norte-americano e a menor oferta nos Estados Unidos contribuíram para a sustentação dos preços no terceiro trimestre. Para os próximos meses, a Hedgepoint destaca a demanda externa e a perspectiva de estoques norte-americanos mais restritos na safra 2026/27 como fatores de suporte ao cereal. As interrupções logísticas no Mar Negro provocadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia também oferecem sustentação aos mercados de milho e trigo.

No trigo, esse quadro se soma ao desenvolvimento insatisfatório das lavouras de inverno nos Estados Unidos e à perspectiva de menor disponibilidade global. As expectativas de redução da produção mundial e de estoques mais restritos na safra 2026/27 também contribuem para um ambiente mais firme para o cereal. No ambiente macroeconômico, dólar e juros podem limitar a sustentação das commodities agrícolas. Para o quarto trimestre, a projeção é de uma postura mais austera do Federal Reserve (Fed), manutenção de uma moeda norte-americana firme e juros reais elevados. Essa combinação tende a reduzir as compras de commodities como proteção contra a inflação e pode pesar sobre a demanda. O balanço para o quarto trimestre combina, portanto, fatores de suporte relacionados ao biodiesel, às compras chinesas de soja e à demanda por milho e trigo norte-americanos com riscos associados ao El Niño, à oferta agrícola global e às condições financeiras nos Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.