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05/Oct/2026

El Niño e os cenários para o Agronegócio brasileiro

Segundo o Citi, o cenário para o agronegócio brasileiro combina perspectivas de alta para o açúcar no curto prazo, influenciadas pelas condições climáticas no Centro-Sul, e boas perspectivas para a safra de grãos 2026/27, embora com riscos relevantes para a produtividade associados ao El Niño. A consolidação de um possível Super El Niño é o principal fator climático a ser monitorado pelo setor. No segmento sucroenergético, a perspectiva positiva para o mercado de açúcar. As chuvas acima da média no Centro-Sul, características de anos de El Niño forte, elevaram a umidade da cana-de-açúcar colhida e reduziram o teor de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR). Essas condições favorecem a destinação da matéria-prima para a produção de etanol, mesmo diante da valorização superior a 21% dos preços do açúcar no último mês. A resposta da oferta aos preços mais elevados tende a ser adiada para a safra 2027/28, uma vez que as condições atuais limitam a capacidade de ajuste imediato do mix de produção das usinas.

O suporte às cotações também está relacionado ao balanço global de oferta e demanda, com déficit projetado de 3,1 milhões de toneladas de açúcar. As quebras de produção esperadas na Índia e na União Europeia contribuem para esse quadro, reforçando as perspectivas de sustentação dos preços no curto prazo. No mercado de grãos, os preços apresentaram comportamento sem direção definida em setembro, embora tenham encontrado suporte em balanços globais mais apertados. Para a safra brasileira 2026/27, as perspectivas são favoráveis, mas há riscos de redução da produtividade decorrentes do El Niño e da menor aplicação de fertilizantes. As vendas antecipadas de soja atingiram recorde, correspondendo a aproximadamente 27% da produção esperada. No mercado físico, as cotações também encontram sustentação no câmbio acima de R$ 5,20 por dólar. Para o milho, a competitividade das exportações brasileiras diminuiu após um acordo tarifário entre China e Estados Unidos.

No mercado doméstico, entretanto, os preços permanecem firmes, apoiados pela demanda dos segmentos de ração animal e etanol de milho, que contribui para o consumo interno do cereal. Embora as chuvas recentes tenham favorecido o início do plantio da safra de grãos, os modelos climáticos sazonais indicam riscos mais expressivos para a produtividade entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. As projeções apontam para precipitações abaixo da média e temperaturas acima do normal em Goiás, Mato Grosso e na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Na Região Sul do Brasil, o principal risco está associado ao excesso de umidade. A distribuição irregular das chuvas pode, portanto, afetar de maneira distinta as principais regiões produtoras durante o desenvolvimento das lavouras. Para o setor agrícola, o comportamento do El Niño nos próximos meses será determinante para a evolução das condições de cultivo, com possíveis reflexos sobre a produtividade, a oferta de grãos e as cotações agrícolas ao longo da safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.