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05/Oct/2026

Brasil: crescimento ficará abaixo de pares em 2026

Segundo estudo do UBS, o crescimento do Brasil no período pós-pandemia superou o desempenho de economias comparáveis em 2023 e 2024, mas essa vantagem perdeu intensidade em 2025 e deve se inverter em 2026, principalmente em razão do enfraquecimento do consumo das famílias. A análise utiliza o método de controle sintético para estimar quanto do desempenho recente do Brasil esteve acima ou abaixo do observado em economias com características semelhantes. Em vez de comparar o País com uma média ampla de mercados emergentes, a metodologia constrói uma referência específica a partir de países que apresentaram trajetória econômica mais próxima à brasileira no período anterior ao intervalo analisado. O chamado ‘Brasil sintético’ é formado por uma combinação ponderada de países selecionados por um algoritmo, que atribui maior peso às economias capazes de reproduzir com maior proximidade a trajetória brasileira anterior ao período de análise.

Países com menor capacidade de reproduzir esse comportamento podem receber peso zero. Na principal especificação utilizada para o Produto Interno Bruto (PIB), o controle sintético é composto por México, com peso de 41%, Peru, com 36%, e Colômbia, com 23%. O UBS também avaliou quatro janelas temporais para verificar a robustez dos resultados. Na principal especificação, o PIB brasileiro cresceu 3,24% em 2023, ante expansão de 1,34% do controle sintético. Em 2024, o crescimento foi de 3,42% no Brasil e de 2,16% no sintético, resultando em diferencial médio de aproximadamente 1,6% por ano. Na comparação internacional envolvendo 13 países, cada um confrontado com seu respectivo controle sintético, o Brasil ocupou a segunda posição em desempenho no período de 2023 e 2024. As Filipinas apresentaram resultado superior. Em 2025, a vantagem brasileira praticamente desapareceu. O PIB cresceu 2,29%, apenas 0,21% acima do controle sintético na principal janela analisada.

Para 2026, considerando projeção de crescimento de 1,8% para o Brasil, o controle sintético dessa mesma janela avançaria 2,34%, resultando em diferencial negativo de 0,54% para a economia brasileira. O movimento é mais acentuado no consumo das famílias. Em 2023, o consumo brasileiro cresceu 3,24%, ante expansão de 0,8% do controle sintético. Em 2024, o avanço foi de 5,10% no Brasil, enquanto o sintético cresceu 2,7%, gerando diferencial de aproximadamente 2,4% em cada um dos dois anos. Na comparação com os 13 países analisados, o Brasil apresentou o maior desempenho em consumo das famílias em 2023 e 2024, com crescimento 3,1% superior ao respectivo controle sintético. Em 2025, porém, ocorreu uma reversão. O consumo das famílias cresceu 1,31% no Brasil, enquanto os controles sintéticos registraram expansão entre 3,48% e 3,91%, colocando o País mais de 2% abaixo do contrafactual em todas as especificações avaliadas.

Para 2026, em um exercício baseado em projeções, o UBS considera crescimento de 1,2% para o consumo das famílias brasileiras. Os controles sintéticos apresentam expansão entre 2,46% e 4,01%, mantendo o diferencial negativo do Brasil em relação às economias utilizadas como referência. O estudo, portanto, identifica uma mudança na dinâmica observada no período pós-pandemia: após apresentar crescimento superior ao de economias comparáveis em 2023 e 2024, o Brasil perdeu essa vantagem em 2025 e, pelas projeções utilizadas pelo UBS, poderá apresentar desempenho inferior ao de seus controles sintéticos em 2026, com destaque para a desaceleração do consumo das famílias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.