02/Oct/2026
O dólar subiu 0,88% no primeiro pregão de outubro (1º/10), a R$ 5,22, acompanhando o movimento global de fortalecimento da moeda norte-americana em um ambiente de maior aversão ao risco, pressionado pela nova alta do petróleo e pelo aumento dos temores inflacionários. A cotação atingiu máxima de R$ 5,23. Apesar da maior sensibilidade do Real a episódios de aversão ao risco, a moeda brasileira apresentou desempenho menos negativo que alguns de seus principais pares entre as divisas emergentes. O ambiente externo foi o principal vetor da sessão, com o dólar avançando ante todas as principais moedas e o petróleo superando novamente US$ 100,00 por barril em meio às preocupações relacionadas à guerra no Oriente Médio. O Brent para dezembro fechou em alta de 4,37%, a US$ 102,31 por barril. A aceleração das cotações ocorreu diante de informações de que os Estados Unidos avaliam retomar bombardeios contra o Irã em novembro.
Também estão no radar do mercado as pressões norte-americanas sobre a União Europeia para liberar estoques de diesel e a possibilidade de restrições dos Estados Unidos às exportações do derivado, fatores que ampliam a preocupação dos investidores com a oferta de energia e a inflação global. O fortalecimento do dólar também reflete sua função de ativo de proteção em períodos de incerteza. O índice DXY, que mede o comportamento da moeda norte-americana ante uma cesta de seis divisas fortes, avançava 0,58%, aos 102,040 pontos, após atingir máxima de 102,207 pontos. O indicador acumula alta de cerca de 1% na semana e opera nos maiores níveis desde março de 2025. No acumulado de 2026, a alta supera 3,80%. No mercado de juros dos Estados Unidos, a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE) abaixo do esperado reduziu as apostas de uma nova elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em outubro, com parte das expectativas sendo deslocada para a reunião de dezembro.
Ao mesmo tempo, os riscos inflacionários associados à guerra mantêm pressão sobre as taxas. O rendimento da T-note de 10 anos atingiu o maior nível em 24 anos, antes de recuar durante a tarde. No mercado doméstico, fatores eleitorais também permanecem no radar e podem influenciar a percepção de risco sobre os ativos brasileiros. A nova pesquisa Datafolha, prevista para as 19 horas, e o debate presidencial na TV Globo concentram a atenção dos investidores. As sondagens anteriores do instituto mostravam liderança numérica de Luiz Inácio Lula da Silva, mas em situação de empate técnico com Flávio Bolsonaro. Analistas avaliam que o comportamento do Real também incorpora expectativas relacionadas ao cenário eleitoral e ao eventual impacto sobre os prêmios de risco associados à situação fiscal.
Ao mesmo tempo, a valorização das commodities agrícolas, com possíveis efeitos do fenômeno El Niño, e a alta do petróleo acrescentam fatores de suporte ao dólar. O Real, contudo, mantém desempenho relativamente favorável no acumulado do ano entre as principais moedas emergentes, atrás apenas do won sul-coreano e do peso colombiano, sendo esta última a única divisa do grupo com valorização de dois dígitos em 2026. No ambiente internacional, a avaliação é de que a economia dos Estados Unidos mantém desempenho considerado sólido pelo mercado, enquanto os preços dos ativos incorporam a possibilidade de que o Federal Reserve mantenha a política monetária em território restritivo. Esse quadro, combinado com a alta dos rendimentos dos Treasuries, a valorização do petróleo e o aumento das incertezas geopolíticas, sustenta a demanda pela moeda norte-americana e mantém o câmbio sob pressão. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.