02/Oct/2026
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a aceleração do IPC-S em setembro teve como principal novidade a pressão do grupo Alimentação, com efeitos associados ao El Niño começando a aparecer sobre os preços. O encarecimento dos alimentos in natura ganhou intensidade ao longo das quadrissemanas e passou a exercer influência mais relevante sobre o resultado do índice no mês. A mudança no comportamento do IPC-S também foi influenciada pela normalização das tarifas de energia elétrica após o efeito temporário do bônus de Itaipu observado no mês anterior.
Em agosto, o benefício provocou queda superior a 7% nas contas de luz. Com o retorno das tarifas ao patamar usual, o grupo Habitação ganhou maior pressão em setembro. Entre os alimentos in natura, os destaques foram itens comercializados em feiras livres, com alta de 29,64% no tomate e de 23% na batata. O movimento recoloca as condições climáticas entre os fatores de atenção para a inflação no segundo semestre, especialmente diante da intensificação do El Niño e de seus possíveis efeitos sobre a produção agropecuária.
A evolução do fenômeno climático pode ampliar a contribuição do grupo Alimentação para a inflação caso os impactos alcancem culturas e produtos de maior peso no orçamento das famílias, como carnes, café, açúcar e leite. O El Niño pode elevar os desafios para a agricultura e, consequentemente, gerar reflexos sobre os preços dos alimentos. No setor de energia elétrica, a adoção da bandeira tarifária verde tende a reduzir a pressão nas contas de luz nas próximas semanas, com a ausência de cobranças adicionais associadas às bandeiras tarifárias. Com isso, Habitação e Alimentação concentraram os principais movimentos de preços no IPC-S de setembro, enquanto os demais grupos apresentaram variações mais moderadas e sem grandes destaques. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.