30/Sep/2026
O mercado global de créditos de carbono associados ao solo apresenta potencial de expansão diante da busca por mecanismos capazes de financiar a transição da agricultura para sistemas mais resilientes e de baixo carbono. Nesse cenário, o Brasil aparece entre os países com maior potencial, em razão da dimensão do setor agrícola, da extensão das pastagens e da possibilidade de adoção de práticas regenerativas. A avaliação consta do relatório O Mercado de Carbono e a Agricultura Regenerativa no Brasil, do Rabobank. O desenvolvimento de padrões de certificação, registros e plataformas de negociação em diferentes mercados também começa a formar uma infraestrutura capaz de ampliar a comercialização desses créditos. A dimensão da agricultura brasileira e a extensa área apta à adoção de práticas regenerativas colocam o País em condições de se tornar um dos principais mercados mundiais de créditos de carbono no solo.
Dados da Embrapa indicam que o Brasil possui 177 milhões de hectares de pastagens, dos quais aproximadamente 28 milhões de hectares, equivalentes a 15%, apresentam algum nível de degradação e poderiam ser restaurados por meio de práticas regenerativas. Na pecuária, esse potencial está diretamente associado à recuperação de pastagens e à adoção de sistemas de produção capazes de elevar o estoque de carbono no solo. O mercado internacional começa a desenvolver mecanismos para dar escala a essa oportunidade. Diferentes padrões de carbono já possuem metodologias destinadas a quantificar e monitorar o aumento do estoque de carbono no solo decorrente da adoção de práticas regenerativas. Ao mesmo tempo, plataformas de registro e negociação vêm sendo estruturadas para aproximar produtores, desenvolvedores de projetos, compradores e investidores.
No Brasil, a B3 estabeleceu parceria com a ACX para integrar uma infraestrutura nacional de registro a uma plataforma global de negociação de créditos, ampliando o acesso de projetos brasileiros ao mercado internacional. A estruturação desse mercado também avança no País. Em 2022, Amaggi, B3, Bayer, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Natura, Raízen, Vale e Rabobank lançaram a Iniciativa Brasileira para o Mercado Voluntário de Carbono, com o objetivo de desenvolver instrumentos financeiros, processos de certificação e verificação e mecanismos de governança para um mercado de alta integridade. Os primeiros projetos de carbono no solo no Brasil já avançam em etapas de desenvolvimento, validação e monitoramento. Entre os exemplos citados pelo Rabobank está a parceria entre Amaggi e NaturAll Carbon, anunciada em 2025, para um projeto de agricultura regenerativa destinado à geração de créditos de carbono.
A iniciativa será certificada pela Verra e utilizará a metodologia VM0042, de Agriculture Land Management, para quantificar o sequestro de carbono no solo agrícola. O projeto tem início em uma área de 25 mil hectares em Rondônia e considera, em sua linha de base, áreas de pastagens degradadas e áreas agrícolas conduzidas sob manejo convencional. A proposta prevê a adoção de práticas regenerativas e o monitoramento do carbono armazenado no solo. Embora seja um projeto de agricultura regenerativa, e não exclusivamente de pecuária, a inclusão de pastagens degradadas evidencia como a recuperação dessas áreas pode estar associada à geração de créditos de carbono. A transformação do potencial brasileiro em um mercado de grande escala, contudo, exigirá investimentos para ampliar a adoção da agricultura regenerativa. A implementação dessas práticas envolve desembolsos iniciais, mudanças operacionais e período de adaptação, apesar dos benefícios ambientais e produtivos associados.
Nesse contexto, o Rabobank destaca a importância da ampliação de mecanismos de remuneração pelos benefícios ambientais, incluindo prêmios em cadeias de suprimento sustentáveis, linhas de crédito com condições preferenciais e pagamentos por serviços ambientais. Na pecuária, a recuperação de pastagens degradadas pode constituir uma das principais frentes de expansão desse mercado. A extensão da área potencialmente recuperável coloca o setor em posição relevante, mas a geração de créditos dependerá da comprovação, por meio de metodologias reconhecidas, do carbono efetivamente armazenado, além do atendimento a critérios de adicionalidade, permanência, monitoramento e integridade ambiental. A plena realização desse potencial dependerá da continuidade do desenvolvimento de projetos, da adesão dos produtores, da expansão da demanda por créditos e da segurança regulatória. A integridade ambiental dos projetos também será determinante para preservar a credibilidade dos ativos e sustentar o crescimento do mercado no longo prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.