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30/Sep/2026

Acordo EUA-China: efeito limitado no Agro brasileiro

Segundo o Insper Agro Global, o acordo 30-for-30 anunciado por Estados Unidos e China no dia 27 de setembro tende a produzir efeitos diretos limitados sobre o agronegócio brasileiro no curto prazo e não altera a posição competitiva do Brasil nos principais produtos exportados ao mercado chinês. O entendimento estabelece uma relação de reciprocidade baseada em listas de produtos cujo comércio bilateral alcançou aproximadamente US$ 30 bilhões em cada direção em 2024. O mecanismo prevê eventual concessão recíproca de tratamento tarifário reduzido, mas não representa compromisso de compra nem estabelece metas de importação. As alíquotas e as datas para entrada em vigor das medidas ainda não foram definidas, enquanto as listas de produtos poderão ser revisadas no máximo uma vez por ano. A lista chinesa contempla produtos como milho, carnes, café, lácteos, trigo, cevada, sorgo, tabaco, madeira e couros, mas exclui soja em grão e algodão. No complexo soja, estão incluídos apenas subprodutos, como sementes, farinha, farelo e óleo.

A relevância do farelo para a concorrência com o Brasil é considerada menor, uma vez que a China concentra suas importações no grão de soja para processamento doméstico. Atualmente, a soja dos Estados Unidos paga tarifa de 13% para entrar na China, composta por uma alíquota regular de 3% e uma sobretaxa de 10% aplicada em maio de 2025. A soja brasileira, por sua vez, está sujeita à tarifa de 3%. A exclusão da soja em grão do acordo, portanto, preserva a atual diferença tarifária entre os dois fornecedores. Na carne bovina, os Estados Unidos dispõem de uma cota de 164 mil toneladas no mecanismo de salvaguarda chinês em 2026, enquanto o Brasil possui cota de aproximadamente 1,106 milhão de toneladas. Os volumes que excedem as cotas estão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, dentro de uma restrição quantitativa prevista para permanecer até 2028. A oferta norte-americana de carne bovina também limita a capacidade de expansão das exportações dos Estados Unidos.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta redução da produção norte-americana em 2026 em razão da oferta restrita de bovinos. Até julho, os embarques acumulados apresentavam queda de 8%, segundo os dados considerados na análise. No milho, o USDA projeta produção chinesa de 306 milhões de toneladas na safra 2026/27, enquanto as importações estão estimadas em 6 milhões de toneladas. O elevado nível de produção doméstica reduz a dependência chinesa do mercado internacional para o cereal. Na avicultura, a China tornou-se exportadora líquida em 2024, com aumento das exportações e redução das importações em 2026. O principal ponto de atenção para o agronegócio brasileiro está na possibilidade de a aproximação comercial entre Estados Unidos e China evoluir para compromissos de compras direcionadas. Em maio de 2026, os Estados Unidos anunciaram a intenção de que a China adquirisse pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas norte-americanos em 2026, 2027 e 2028, além de volumes específicos de soja.

Até o momento, porém, essas medidas não foram confirmadas pelo governo chinês nem convertidas em compras efetivas. A eventual transformação da aproximação bilateral em compromissos concretos de aquisição de produtos agrícolas dos Estados Unidos poderia direcionar parte da demanda chinesa para fornecedores norte-americanos, com reflexos sobre a participação brasileira nesse mercado. Ao mesmo tempo, o histórico de acordos comerciais anteriores entre as duas potências, incluindo o acordo Phase One, mostra que metas de compras estabelecidas em negociações bilaterais não necessariamente são cumpridas integralmente. Nesse contexto, o acordo 30-for-30, em sua configuração atual, apresenta impacto direto limitado sobre os principais produtos do agronegócio brasileiro destinados à China. A evolução das listas tarifárias, a definição das alíquotas e, principalmente, eventual adoção de compromissos efetivos de compra de produtos agrícolas dos Estados Unidos serão determinantes para avaliar possíveis efeitos sobre a competitividade e a participação do Brasil no mercado chinês. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.