30/Sep/2026
Os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, chegaram nesta terça-feira (29/09) a Milwaukee, em Wisconsin, para discutir o tarifaço norte-americano e participar da reunião de ministros do Comércio do G20. Os representantes das 20 maiores economias se reúnem nesta quarta-feira (30/09) e na quinta-feira (1º/10), no oitavo evento do calendário do G20 sob a presidência dos Estados Unidos. O encontro terá como anfitrião o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, e será iniciado com compromissos junto a representantes da indústria norte-americana, incluindo visita à empresa Rockwell, além de um fórum global sobre o setor de aço. Também existe expectativa de uma reunião bilateral entre Greer e os ministros brasileiros, embora o encontro não tenha sido confirmado pelas partes até a publicação do texto-base. A reunião ministerial do G20 ocorre dois dias úteis após o encontro entre Brasil e Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, na Suíça.
A representação brasileira na organização abriu uma consulta para questionar as tarifas de até 37,5% aplicadas desde julho a produtos brasileiros. Segundo pessoas a par das negociações, os representantes norte-americanos não responderam aos 50 questionamentos apresentados pelos diplomatas brasileiros. A postura norte-americana foi entendida pela representação brasileira como um indicativo de que a controvérsia tarifária não deverá avançar no âmbito da OMC e precisaria ser tratada diretamente nos Estados Unidos. Para o Brasil, a disputa envolve mais do que a discussão técnica sobre a retirada de tarifas incidentes sobre produtos que representam cerca de um terço da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos. O contencioso reúne questões comerciais e políticas, incluindo temas relacionados às eleições brasileiras de 2026. Durante negociações diplomáticas sigilosas realizadas após o tarifaço de 2025, quando os Estados Unidos chegaram a aplicar alíquotas de até 50% sobre parte dos produtos brasileiros, o governo norte-americano apresentou 21 exigências.
Entre elas estava a possibilidade de compromisso brasileiro para aquisição de aeronaves comerciais produzidas nos Estados Unidos pela Boeing. Outras demandas apresentadas naquele processo estavam relacionadas a questões políticas internas brasileiras. Entre elas estava a reivindicação para que pessoas classificadas pelo governo norte-americano como dissidentes políticos não fossem detidas, presas ou impedidas de participar da eleição presidencial de 2026. O governo brasileiro interpretou essas demandas como interferência em assuntos domésticos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também classificou a atuação do governo Trump como ingerência em questões internas, violação da soberania e tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro. As expectativas para resultados concretos da reunião de ministros do Comércio do G20 em Milwaukee são consideradas limitadas por analistas que acompanham a agenda comercial e diplomática.
A avaliação apresentada por um especialista em comércio exterior baseado nos Estados Unidos é de que pode haver espaço para pragmatismo nas negociações, dentro de uma estratégia brasileira que preserve sua autonomia diplomática e, simultaneamente, considere os Estados Unidos como parceiro histórico. Entre os ativos brasileiros mencionados nesse contexto estão os minerais críticos. Os Estados Unidos vêm buscando acordos relacionados a recursos naturais com diferentes países, incluindo aliados e a China, o que mantém o tema entre os possíveis elementos de negociação bilateral. A definição sobre eventuais avanços nessa área também está relacionada ao ambiente político brasileiro e ao resultado das eleições de 2026. Para o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), a dinâmica do G20 em 2026 tende a ser marcada por menor avanço, em razão da posição do governo Trump em relação ao multilateralismo. Nesse cenário, a reunião de Milwaukee ocorre com a agenda comercial Brasil-EUA concentrada na questão tarifária e com temas econômicos, diplomáticos e políticos interligados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.