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30/Sep/2026

Trégua EUA-China adia novos conflitos comerciais

A visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington foi marcada por uma recepção de alto nível pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o recebeu no aeroporto, mobilizou aparato militar e ofereceu um jantar de Estado. O principal resultado econômico do encontro, contudo, foi a extensão por mais dois meses da trégua comercial entre as duas potências. Embora represente apenas um intervalo, a manutenção da pausa reduz, no curto prazo, o risco de uma nova escalada em uma disputa que já demonstrou capacidade de gerar custos relevantes para os dois países. O período adicional cria espaço para que Estados Unidos e China avancem na redução de suas respectivas vulnerabilidades. A escalada de 2025 evidenciou limitações para os Estados Unidos, especialmente em relação à dependência de terras raras e de sua capacidade de processamento na China. A posição da China nesse segmento ampliou seu poder de pressão, enquanto as tarifas impostas pelos Estados Unidos não eliminaram essa vulnerabilidade.

A China, por sua vez, permanece exposta às vantagens dos Estados Unidos e de seus aliados na produção de semicondutores avançados. A atual trégua, portanto, está sustentada menos pela confiança entre os governos do que pela percepção dos custos de uma nova escalada. A disputa estratégica permanece durante o armistício comercial. O governo Trump busca utilizar o período para reduzir a dependência das cadeias chinesas de minerais críticos, enquanto a China procura preservar essa capacidade de pressão e, simultaneamente, diminuir sua exposição à tecnologia norte-americana e de países aliados. A diversificação das estruturas de mineração, refino e processamento demanda anos, assim como o desenvolvimento de alternativas aos chips de última geração. A extensão da trégua oferece aos dois lados tempo para tentar modificar as condições que determinam o equilíbrio de poder. A aproximação pessoal entre Trump e Xi também possui dimensão estratégica.

A recepção de Xi em Washington e a projeção do líder chinês como interlocutor de igual estatura têm relevância diplomática para o governo chinês. A manutenção de encontros frequentes também pode reduzir o risco de erros de cálculo entre as duas potências. Ao mesmo tempo, a perspectiva de novas cúpulas cria incentivo para evitar decisões capazes de comprometer os encontros futuros. A deferência demonstrada pelos Estados Unidos representa um elemento favorável à posição diplomática chinesa no curto prazo, mas não altera as diferenças estruturais da disputa, na qual os Estados Unidos mantêm recursos financeiros, tecnológicos e militares expressivos, enquanto a China enfrenta desafios relacionados ao crescimento econômico. Taiwan constitui um dos principais testes dessa relação. Trump classificou como moeda de troca um pacote de aproximadamente US$ 14 bilhões em armas para a ilha. A China pressionou pela postergação da medida e o governo norte-americano adiou sua aprovação enquanto preparava a visita de Xi.

Paralelamente, o governo chinês busca que os Estados Unidos substituam a formulação tradicional de que não apoiam a independência de Taiwan por uma declaração de que se opõem à independência da ilha. Trump não aceitou publicamente essa mudança, enquanto o pacote de armas foi adiado, mas não cancelado. O episódio evidencia diferenças entre os temas negociados pelas duas potências. Tarifas e compromissos de compras agrícolas podem ser revertidos com relativa facilidade, enquanto decisões capazes de alterar mecanismos de dissuasão ou a confiança de aliados podem produzir efeitos mais duradouros. Nesse contexto, Taiwan permanece como uma área em que concessões comerciais não necessariamente se traduzem em acomodação nas questões de segurança. A inteligência artificial expõe outra dimensão da disputa. A rivalidade entre Estados Unidos e China pode limitar a cooperação mesmo diante de riscos compartilhados. A cúpula não produziu regras relevantes para administrar esses riscos.

A China considera que as salvaguardas propostas pelos Estados Unidos podem consolidar uma vantagem tecnológica norte-americana, enquanto o governo norte-americano avalia que a ausência de mecanismos desse tipo pode ampliar riscos de segurança. A mesma desconfiança que sustenta a competição tecnológica, portanto, dificulta a coordenação em uma área com impactos que ultrapassam os dois países. A visita de Xi evidencia uma relação em transição, na qual Estados Unidos e China obtiveram mais um período de trégua, mas ainda precisam administrar uma disputa econômica, tecnológica e estratégica de longo prazo. O intervalo até a próxima reunião será marcado pela tentativa dos Estados Unidos de reduzirem vulnerabilidades sem comprometer mecanismos de dissuasão, pela busca da China de preservar suas alavancas enquanto amplia sua autonomia tecnológica e pela manutenção dos canais de diálogo. O resultado da nova trégua dependerá das medidas adotadas pelos dois governos durante esse período. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.