30/Sep/2026
Mediadores trabalham com o Irã e os Estados Unidos para tentar construir um acordo que permita encerrar os combates e reabrir o Estreito de Ormuz, mas permanecem grandes obstáculos entre as partes. As negociações indiretas ocorrem enquanto o conflito entra em seu oitavo mês, com impactos sobre a economia global e efeitos econômicos relevantes sobre o Irã. Diversas tentativas de estabelecer condições para a navegação segura em uma das principais rotas marítimas internacionais fracassaram. Os esforços diplomáticos nos bastidores continuam mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter rejeitado inicialmente uma proposta iraniana para reabrir o Estreito de Ormuz em uma semana.
A proposta condicionava a reabertura à suspensão do bloqueio norte-americano aos portos iranianos, à liberação de ativos iranianos congelados e à isenção das vendas de petróleo do Irã das sanções, entre outras condições. Apesar da retórica de confronto adotada por Trump, uma autoridade sênior dos Estados Unidos indicou que o governo norte-americano mantém abertura para uma solução não militar para o conflito, desde que seja possível alcançar um acordo. Outra autoridade norte-americana, porém, informou que o governo Trump não pretende fechar um acordo com o Irã sem que sejam tratadas as questões relacionadas ao programa nuclear iraniano. Nesse contexto, os Estados Unidos estariam dispostos a conceder alívio de sanções ao Irã e liberar parte dos recursos iranianos congelados em troca de avanços concretos nas questões nucleares.
O Irã, por sua vez, teria indicado flexibilidade nesse tema, mas as partes permanecem distantes quanto ao cronograma das medidas e à definição de qual lado deverá tomar as primeiras iniciativas. Duas autoridades regionais envolvidas nas negociações confirmaram que os mediadores trabalham com Estados Unidos e Irã em uma proposta que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão do bloqueio norte-americano, seguida posteriormente pela retirada de sanções. O rascunho em discussão prevê que a reabertura do Estreito de Ormuz ocorra com base em um acordo separado que o Irã vem negociando com Omã, país localizado do outro lado da passagem marítima. A proposta também contempla a ausência de cobrança de pedágios, uma das condições buscadas pelo Irã.
O entendimento teria como objetivo estabelecer temporariamente regras para administrar o tráfego marítimo em uma rota que, antes do conflito, era considerada uma via marítima internacional. Ainda, Donald Trump na segunda-feira (28/09) que tenha oferecido alívio de sanções e a liberação de recursos congelados ao Irã para avançar nas negociações. Em rede social, o presidente norte-americano classificou a informação como falsa e disse que não ofereceu “nada” ao Irã. “Axios acabou de publicar uma história dizendo que ‘Trump’ ofereceu alívio de sanções e fundos congelados ao Irã. Isso não é verdade. Eu não ofereci a eles NADA!”, escreveu. O presidente também atacou o veículo, chamando a reportagem de farsa e concluiu pedindo que o Axios retire a matéria do ar “imediatamente”. A CNN também veiculou uma reportagem em que afirma que Trump estaria disposto a aliviar as sanções contra o Irã e liberar fundos congelados em troca de "progressos concretos" em um acordo nuclear.
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, major-general Mohsen Rezaei, afirmou nesta terça-feira (29/09) que o Irã já apresentou suas condições aos Estados Unidos, mas que o presidente norte-americano, Donald Trump, seria incapaz de tomar uma decisão. Para o dirigente, Trump está "preso em um atoleiro no qual não consegue negociar nem guerrear". Rezaei alegou ainda que, diante do impasse militar, o governo norte-americano teria recorrido a um "cerco aéreo". O major-general também acusou os Estados Unidos e Israel de violarem o direito internacional ao atacar o Irã e afirmou que o país respondeu ao conflito "defendendo-se com força". Rezaei disse ainda que os Estados Unidos "não têm futuro na região" e afirmou que o Irã continuará resistindo à presença norte-americana. Também declarou que o Irã está disposto a contribuir para a paz na região do Cáucaso. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.