29/Sep/2026
As projeções da XP Research indicam sustentação dos preços de soja, milho, açúcar e carne bovina no mercado agropecuário, em um cenário marcado pelos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño na América do Sul e pela limitação da oferta global. O cenário também incorpora fatores específicos de cada cadeia, como o ritmo das exportações norte-americanas, a disponibilidade de gado para abate, as condições das lavouras de cana-de-açúcar e a relação de competitividade do etanol com a gasolina. Para a soja, as exportações acumuladas dos Estados Unidos acima das projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e os potenciais impactos do El Niño sobre a produção sul-americana dão suporte às cotações.
No curto prazo, entretanto, a previsão é de volatilidade e possíveis correções técnicas decorrentes do posicionamento dos fundos, o que pode limitar movimentos direcionais mais fortes. No milho, a dinâmica dos contratos futuros é influenciada pelo ritmo dos embarques dos Estados Unidos e pela competitividade do produto sul-americano no comércio internacional. Eventuais alterações nos fluxos de exportação pelo Mar Negro podem redirecionar parte da demanda para as Américas, enquanto os efeitos do El Niño sobre a produção de milho na América do Sul permanecem no radar do mercado. No mercado de proteínas, a menor disponibilidade de gado para abate no Brasil e nos Estados Unidos contribui para sustentar os preços da carne bovina.
A reabertura do Porto de Santa Teresa, nos Estados Unidos, tende a produzir efeito restrito no curto prazo, considerando o tempo necessário para o abate do gado importado do México e o nível reduzido dos rebanhos norte-americanos. Em relação à possibilidade de o Brasil utilizar o saldo da cota do Uruguai para vendas de carne bovina à China, após o entendimento firmado entre os governos, a operação ainda depende de confirmação formal das autoridades chinesas. O impacto potencial do acordo é considerado limitado pelo volume residual da cota uruguaia. A projeção de retomada da demanda chinesa por carne bovina permanece concentrada entre o fim de 2026 e o início de 2027.
No curto prazo, o período de fim de ano tende a contribuir para a demanda por todas as principais proteínas. No açúcar, as chuvas na Região Centro-Sul reduzem o ritmo de moagem e o potencial produtivo da safra atual, restringindo a oferta brasileira, embora contribuam para o desenvolvimento da safra 2027/28. A combinação entre menor produção no Brasil e perdas de safra na Índia e na União Europeia cria um ambiente de oferta global mais restrita e sustenta viés de alta para os preços da commodity. No etanol, a competitividade do biocombustível em relação à gasolina e a redução dos estoques dão suporte à demanda e às cotações no mercado interno durante a safra.
A expansão da produção de etanol de milho, por sua vez, contribui para absorver parte da pressão sobre o balanço de oferta do combustível e amplia a disponibilidade no mercado doméstico. De forma geral, o cenário combina fatores climáticos, disponibilidade de oferta e fluxos de comércio internacional para sustentar as principais commodities agropecuárias. O El Niño permanece como elemento de risco para as safras sul-americanas, enquanto restrições de oferta em diferentes regiões produtoras e alterações nos fluxos globais podem manter os mercados sensíveis a revisões de produção, exportação e consumo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.