29/Sep/2026
Estados Unidos e China deram novo passo para reduzir os atritos comerciais ao divulgarem listas de produtos que poderão receber tratamento tarifário mais favorável no âmbito do chamado marco 30 por 30. A iniciativa prevê alívio recíproco sobre cerca de US$ 30 bilhões em importações de cada país, considerando os fluxos comerciais bilaterais de 2024. A medida será operacionalizada pelo recém-criado Conselho de Comércio EUA-China, estabelecido após encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping durante visita de Trump a Pequim, em maio deste ano. O representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, informou que a recomendação conjunta contempla bens considerados não sensíveis e poderá ampliar o acesso aos mercados e beneficiar consumidores, abrangendo segmentos que vão da agricultura a dispositivos médicos.
Segundo informações do Ministério do Comércio da China, mais de 90% dos produtos incluídos nas listas deverão receber isenção das tarifas anteriormente aplicadas, com retorno ao tratamento de nação mais favorecida. A implementação dependerá da conclusão dos procedimentos legais internos em cada país e deverá ocorrer de forma simultânea. A lista de produtos abrangidos pelos Estados Unidos inclui categorias de consumo e varejo, como brinquedos sem conectividade por rádio, Wi-Fi, Ethernet ou Bluetooth, fogos de artifício, utensílios domésticos de plástico, cobertores, roupas de cama e cortinas. Também estão incluídos pequenos eletrodomésticos, como micro-ondas, torradeiras, cafeteiras, ferros elétricos e barbeadores. Entre os produtos destinados ao mercado norte-americano também aparecem artigos infantis, como cadeiras altas, assentos de elevação, cadeirinhas de segurança e cercadinhos.
A composição da lista indica a inclusão de diversos bens de consumo importados da China pelos Estados Unidos. A lista apresentada pela China reúne uma gama ampla de produtos provenientes dos Estados Unidos, com destaque para itens agropecuários, incluindo carnes, produtos lácteos e outros produtos agrícolas. Também estão contemplados produtos de cuidados pessoais, dispositivos médicos e carvão. No segmento de equipamentos médicos, a lista chinesa inclui produtos destinados a diagnóstico e monitoramento, sistemas de ventilação e outras tecnologias utilizadas em ambientes hospitalares. A inclusão de produtos agropecuários amplia o alcance da medida para o comércio de alimentos e matérias-primas agrícolas entre os dois países. O Conselho de Comércio EUA-China será liderado, pelo lado norte-americano, pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, e pelo representante de Comércio, Jamieson Greer. Pelo lado chinês, a coordenação ficará a cargo do vice-primeiro-ministro He Lifeng.
As regras de funcionamento estabelecem reuniões periódicas, acompanhamento do comércio dos produtos abrangidos e possibilidade de ajustes, em princípio, com frequência não superior a uma vez por ano. Também foi definida a criação de um Grupo de Trabalho de Agricultura, cuja primeira reunião está prevista para ocorrer até o fim de 2026. O grupo deverá concentrar as discussões relacionadas ao comércio de produtos agrícolas entre os dois países no âmbito da nova estrutura bilateral. A medida representa uma etapa adicional nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China, com foco na redução de tarifas sobre bens considerados não sensíveis e na ampliação do acesso recíproco aos mercados. A efetivação das isenções dependerá dos procedimentos legais internos de cada país e da implementação simultânea das medidas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.