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28/Sep/2026

Brasil: chuvas favorecem plantio da safra 2026/27

Segundo a EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola por satélite, as chuvas de setembro melhoraram as condições para o início do plantio da soja 2026/27 no Centro-Oeste, mas Mato Grosso ainda exige cautela diante da baixa umidade do solo e da ausência de uma regularização mais consistente das precipitações. Goiás apresenta recuperação mais significativa, com níveis de umidade do solo acima da média dos últimos anos, enquanto Mato Grosso permanece com déficit de água disponível. Em Mato Grosso, apesar de as chuvas de setembro terem ficado acima da média, os volumes ainda não foram suficientes para recompor a umidade perdida anteriormente. A perspectiva é de melhora no início de outubro, quando o modelo meteorológico europeu ECMWF prevê aumento das precipitações e recuperação mais expressiva da água disponível no solo. Em Goiás e nas áreas próximas, o cenário é mais favorável, com recuperação da umidade para níveis superiores à média dos últimos anos.

O modelo europeu também indica intensificação das chuvas no início de outubro, combinação que tende a melhorar as condições para a semeadura e o desenvolvimento inicial das lavouras de soja e milho. A regularização das precipitações, entretanto, permanece incerta. Entre 25 de setembro e 2 de outubro, os principais modelos meteorológicos apresentam projeções distintas. O modelo europeu indica chuva abaixo da média em grande parte do Centro-Oeste, enquanto o norte-americano GFS aponta condições mais úmidas, principalmente em Goiás e em partes de Mato Grosso e Minas Gerais. As temperaturas elevadas adicionam um fator de risco. A EarthDaily projeta temperaturas acima da média nas principais regiões produtoras, com o modelo norte-americano indicando desvios mais intensos no Centro-Oeste. A combinação entre calor e volumes menores de chuva pode elevar a demanda evaporativa e limitar a recuperação da umidade do solo, principalmente em Mato Grosso.

Esse cenário pode retardar a recomposição da umidade necessária para o estabelecimento das lavouras e mantém Mato Grosso como o principal ponto de atenção para o avanço do plantio de soja e milho safra de verão (1ª safra 2026/2027). A definição do ritmo das precipitações no início de outubro será determinante para a evolução das condições de campo. Na Região Sudeste, as chuvas recentes também elevaram a umidade do solo, com melhora mais evidente em São Paulo. Para a cana-de-açúcar, contudo, o efeito das precipitações é distinto, pois os volumes registrados desde o início de setembro vêm provocando interrupções frequentes na colheita. Foram registrados episódios com mais de 8 milímetros de chuva em um único dia, incluindo acumulados superiores a 20 milímetros. Esses volumes foram suficientes para interromper as operações no próprio dia e, em alguns casos, também no dia seguinte. Novos episódios acima desse patamar são previstos para o início de outubro, o que pode provocar novas paralisações pontuais da colheita e reduzir o ritmo de moagem.

Na Região Sul, o trigo concentra as preocupações. Rio Grande do Sul e Paraná receberam volumes elevados de chuva nos últimos 10 dias, enquanto os acumulados desde agosto estão significativamente acima da média e da maior parte dos últimos anos. Com novas precipitações previstas até o início de outubro, aumenta o risco de doenças, dificuldades para a entrada de máquinas e perda de qualidade dos grãos à medida que as lavouras avançam para as fases de maturação e colheita. As temperaturas baixas também exigem acompanhamento. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as mínimas recuaram nos últimos dias. Caso tenham ocorrido geadas nas regiões produtoras, lavouras de trigo em fases reprodutivas mais avançadas podem ter sido afetadas. No nordeste do Rio Grande do Sul, as mínimas chegaram próximas de 0°C no início de setembro e, após recuperação, voltaram recentemente para níveis próximos de 4°C. O episódio mais recente foi menos intenso, e o modelo europeu indica elevação das temperaturas nos próximos dias, reduzindo o risco no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.