28/Sep/2026
O ministro da Agricultura, André de Paula, recebeu na semana passada o relatório final do Grupo de Trabalho do El Niño, criado para propor medidas de prevenção e redução dos impactos do fenômeno climático sobre a produção agropecuária. O documento reúne ações de curto, médio e longo prazo destinadas a ampliar a proteção aos produtores rurais e a capacidade de resposta do governo federal diante de eventos climáticos adversos. Para a safra 2026/27, a prioridade é reduzir perdas por meio da utilização de tecnologias já disponíveis, assistência técnica, orientações regionalizadas e monitoramento agroclimático. Entre as medidas consideradas prioritárias está o fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), com o objetivo de assegurar a disponibilidade do instrumento antes da intensificação do plantio da safra de verão (1ª safra 2026/2027).
Para as próximas safras, o grupo propõe ampliar sistemas produtivos mais resilientes, reforçar a segurança hídrica e aperfeiçoar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A proposta prevê maior integração do zoneamento com Boas Práticas Agrícolas, crédito rural, seguro rural e Proagro, de forma a ampliar a capacidade de prevenção e gestão dos riscos climáticos no campo. Entre as medidas permanentes está a criação, no Ministério da Agricultura, de um núcleo de gestão de riscos climáticos extremos. A estrutura deverá contar com um painel agroclimático destinado a integrar informações, monitorar e analisar riscos, elaborar boletins e alertas e apoiar a implementação de ações de mitigação e adaptação, inclusive em articulação com os Estados. O relatório também aponta a necessidade de acelerar a implementação do Plano ABC+ e do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (Caminho Verde).
As iniciativas são consideradas instrumentos para ampliar a adoção de tecnologias produtivas mais resilientes, juntamente com assistência técnica, capacitação e financiamento. As medidas propostas pelo grupo de trabalho também buscam fortalecer as políticas de adaptação e mitigação diante das mudanças climáticas, ampliando a integração entre instrumentos de gestão de risco, políticas de crédito e seguro, monitoramento agroclimático e práticas produtivas sustentáveis. Ainda, segundo projeções científicas, o fenômeno meteorológico El Niño pode provocar 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor em todo o mundo até fevereiro do ano que vem, devido ao aumento das temperaturas globais. O fenômeno natural, declarado em junho e cujo pico é esperado para o fim do ano, caminha para se tornar o mais intenso já registrado, ampliando os efeitos das mudanças climáticas causadas pela atividade humana. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.