28/Sep/2026
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,70% em setembro, após recuo de 0,40% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa foi a maior para o mês desde setembro de 2021, quando o indicador avançou 1,14%, e superou todas as estimativas do mercado financeiro, que variavam de 0,45% a 0,66%, com mediana de 0,53%. Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 3,82% em 2026 e de 4,47% em 12 meses, ante 4,24% até agosto. A inflação acumulada em 12 meses se aproximou do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central para o IPCA, índice oficial de inflação também calculado pelo IBGE. Todos os nove grupos pesquisados registraram alta na passagem de agosto para setembro. O principal impacto veio do grupo Habitação, com contribuição de 0,31% e alta de 2,07%. Dentro do grupo, a energia elétrica residencial apresentou o maior impacto individual do mês, de 0,29 ponto porcentual, com avanço de 7,42%, após queda de 6,25% em agosto.
A alta da energia elétrica refletiu principalmente o fim da incorporação do Bônus de Itaipu, valor distribuído aos consumidores quando há saldo positivo na conta de comercialização da usina hidrelétrica controlada por Brasil e Paraguai e que havia sido creditado nas faturas emitidas em agosto. Também foi mantida em setembro a bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. No gás encanado, a alta foi de 0,92%. O item água e esgoto subiu 0,03%. A segunda fonte relevante de pressão veio de Alimentação e bebidas, que avançou 0,40% em setembro, após queda de 0,57% em agosto, contribuindo com 0,09% para o IPCA-15. A alimentação no domicílio passou de recuo de 0,97% para alta de 0,38%, enquanto a alimentação fora do domicílio subiu 0,44%, ante 0,42% em agosto. Na alimentação no domicílio, os principais aumentos foram registrados no tomate, de 20,76%, no arroz, de 2,39%, e nas carnes, de 1,30%. Em sentido contrário, o feijão-carioca recuou 6,33%, a cebola caiu 4,41% e o café moído teve queda de 1,36%, limitando a pressão sobre o grupo.
Na alimentação fora do domicílio, a refeição acelerou de 0,25% para 0,38%, enquanto o lanche desacelerou de 0,75% para 0,44%. Entre os demais grupos, as variações ficaram entre 0,03% em Educação e 0,96% em Despesas pessoais. Neste último, o principal destaque foi o cigarro, com alta de 14,00%, após reajuste aplicado a partir de 1º de agosto. O grupo Transportes avançou 0,60% em setembro e contribuiu com 0,12% para o índice. A principal pressão veio das passagens aéreas, que subiram 9,82%. Entre os combustíveis, a alta média foi de 0,22%, com avanço de 1,56% no gás veicular e de 0,30% na gasolina, parcialmente compensado pelas quedas de 0,78% no óleo diesel e de 0,22% no etanol. O resultado de setembro marca a reversão da deflação observada em agosto e mostra uma composição de inflação mais pressionada, com energia elétrica e alimentos entre os principais vetores de alta. A aceleração da alimentação ocorre após dois meses consecutivos de quedas e volta a exercer influência relevante sobre o índice, enquanto os reajustes tarifários e itens administrados ampliam a pressão sobre a inflação corrente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.