25/Sep/2026
A expansão acelerada do agronegócio nos últimos anos expôs fragilidades na gestão das empresas e tende a dar lugar a um ciclo de crescimento mais seletivo, baseado em eficiência, organização e disciplina na alocação de recursos. A mudança ocorre após o período de escassez global de produtos em 2021 e de valorização das commodities em 2022, quando o mercado brasileiro passou a receber forte pressão por expansão. A combinação entre disponibilidade limitada de produtos, preços elevados das commodities e expectativas de continuidade do crescimento estimulou investimentos e aumento da escala em diferentes segmentos do agronegócio. Em parte dos casos, porém, a expansão ocorreu sem o mesmo nível de organização e estruturação dos processos de gestão, o que tornou mais evidentes as fragilidades quando o ciclo de mercado mudou.
A reversão das condições de mercado ampliou a diferença entre empresas que utilizaram o período de maior rentabilidade para estruturar processos e aquelas que concentraram esforços na expansão. Desde 2023, a Sumitomo Chemical promove mudanças internas com revisão de processos, aumento da eficiência e avaliação do desempenho das equipes. A estratégia busca combinar pragmatismo e disciplina operacional, inclusive em um cenário de recuperação dos preços das commodities. Na produção agrícola, a mudança de prioridade também aparece na relação entre expansão de área e aumento de produtividade. Um exemplo é o de um grande produtor de algodão que, diante da oferta de propriedades para aquisição, optou por não ampliar a área cultivada. A estratégia passou a ser elevar a eficiência produtiva de uma área de 50 mil hectares, concentrando investimentos no aumento da produtividade em vez da expansão da propriedade.
Na indústria de insumos, o desenvolvimento de novas tecnologias continua relevante, mas deixa de ser suficiente como fator de diferenciação. A capacidade de transferir as tecnologias ao campo, apresentar de forma clara a estratégia de utilização e demonstrar a proposta de valor para o produtor ganha importância. O foco passa a ser a qualidade da execução e do relacionamento com o cliente, e não apenas a quantidade de produtos, tecnologias ou estruturas comerciais. O novo ciclo do agronegócio tende, portanto, a combinar crescimento mais gradual com maior eficiência operacional, produtividade e clareza na geração de valor. Para empresas e produtores, a expansão de escala passa a depender de processos mais estruturados, enquanto os investimentos precisam apresentar retorno econômico e contribuir para a eficiência dos ativos já existentes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.