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25/Sep/2026

Plano Safra 2026/2027: aperto no crédito privado

Segundo a Mosaic, a recuperação recente dos preços agrícolas ainda não foi suficiente para destravar o crédito ao agronegócio. Os recursos privados liberados no âmbito do Plano Safra 2026/2027 estão 20% abaixo do registrado no mesmo período do ciclo anterior, enquanto o desembolso das linhas incentivadas avança lentamente. A comparação não teve no painel a indicação da base nem do período exato considerados. O aumento da inadimplência provocou forte restrição na oferta de recursos, enquanto o custo dos instrumentos de financiamento permanece elevado. Apenas 10% das linhas incentivadas haviam sido liberadas, indicando um ritmo lento de execução do crédito destinado ao setor. Apesar da melhora observada nos preços agrícolas nas últimas quatro semanas, os próximos 12 meses ainda são considerados desafiadores para o financiamento do campo.

O aperto também alcançou o mercado de capitais. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que as emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) somaram R$ 7,1 bilhões no primeiro semestre, queda de 50,4% ante o mesmo período do ano anterior. Nesse cenário, fundos de direitos creditórios (FIDCs), Fiagros e instituições especializadas em crédito rural, como a Agrolend, passaram a assumir maior relevância na oferta de recursos ao produtor. A maior percepção de risco, contudo, tende a exigir mecanismos mais sofisticados de concessão e renegociação, em vez de uma interrupção generalizada do crédito. O reforço de garantias e a análise individual das condições financeiras de cada produtor ganham importância, com possibilidade de renegociação dos compromissos quando houver capacidade de recuperação da atividade.

As condições climáticas acrescentam outra fonte de incerteza, principalmente nas regiões Centro-Norte e Norte do País. Eventuais atrasos nas chuvas em determinadas áreas podem levar parte dos agricultores a reduzir investimentos ou até desistir do plantio. Em situações de menor disponibilidade de capital, a tendência é de adoção de menor nível tecnológico e redução dos investimentos por hectare, com possíveis efeitos sobre a produtividade. Nos últimos anos, os custos de produção aumentaram sem acompanhamento proporcional das cotações das commodities, pressionando as margens do produtor. A dependência externa da cadeia de insumos também permanece elevada.

Cerca de 85% dos produtos químicos consumidos pelo agronegócio são importados, segundo a avaliação apresentada, em um setor que representa praticamente um quarto da economia brasileira. Essa dependência amplia a exposição do campo às condições internacionais de preços, câmbio, logística e disponibilidade de insumos. Apesar das restrições financeiras, o agronegócio mantém capacidade de adaptação diante da volatilidade dos preços das commodities e das incertezas geopolíticas e tarifárias. Nesse ambiente, a gestão de riscos permanece como elemento central para a condução da atividade, com necessidade de planejamento financeiro, controle de custos e maior seletividade na contratação de crédito e na definição dos investimentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.