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25/Sep/2026

Agro deve priorizar produtividade e retorno sobre capital

Segundo a FMC, o agronegócio brasileiro tende a reduzir a dependência da expansão de área como vetor de crescimento e concentrar investimentos em produtividade, eficiência de custos e retorno sobre o capital. A avaliação considera tanto as propriedades rurais quanto os segmentos de indústria e distribuição de insumos, em um cenário de juros elevados que aumenta o custo financeiro e exige maior seletividade na alocação de recursos. A taxa básica de juros está em 13,75% ao ano. As projeções para a soja já refletem esse movimento. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima área cultivada de 49,3 milhões de hectares na safra 2026/27, crescimento de 1,4% ante o ciclo anterior e a menor expansão porcentual dos últimos 20 anos. A produção pode alcançar recorde de 181,64 milhões de toneladas, avanço de apenas 0,7%, enquanto a produtividade deve recuar 0,8%, indicando que o aumento de produção dependerá mais da utilização eficiente dos recursos do que da ampliação da área.

A mudança de foco também é observada na gestão das propriedades. A experiência de produtores aponta uma transição de uma estratégia baseada em expansão por arrendamento e aquisição de áreas vizinhas para uma análise individual do retorno dos investimentos. Decisões como a implantação de irrigação em áreas de maior complexidade passam a ser avaliadas a partir da capacidade de retorno sobre o capital empregado. Na aquisição de insumos, a tendência é de maior exigência em relação à comprovação dos resultados econômicos das tecnologias. O produtor deverá avaliar o retorno sobre o investimento, o que aumenta a necessidade de que a indústria demonstre, de forma objetiva, a efetiva contribuição dos produtos para ganhos de produtividade e eficiência. Na distribuição de insumos, o crescimento do faturamento isoladamente também perde relevância. As revendas tendem a priorizar a qualidade das vendas e dos recebíveis, combinando estabilidade ou baixo crescimento das receitas com redução de custos operacionais.

Esse processo envolve avaliação da eficiência de cada loja e vendedor e maior controle das despesas, em um ambiente de margens pressionadas e custo financeiro elevado. Na indústria, o principal ponto de atenção está nos estoques. A combinação entre uma cadeia de suprimentos longa e a Selic de 13,75% ao ano aumenta o custo de carregamento e o risco associado à manutenção de volumes elevados, tanto dentro das empresas quanto na distribuição. A necessidade de reduzir estoques passa a envolver toda a cadeia, com impactos potenciais sobre indústria, revendas e demais parceiros. O cenário indica uma mudança de prioridade no agronegócio brasileiro, com menor ênfase no crescimento baseado em volume e expansão de ativos e maior foco na geração de retorno a partir da estrutura produtiva já disponível. A eficiência operacional, o controle de custos, a produtividade e a disciplina na alocação de capital ganham importância para a sustentabilidade dos investimentos ao longo da cadeia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.