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25/Sep/2026

Selic: Copom mantém estratégia de cortes graduais

A continuidade dos sinais de desaceleração da economia e da inflação tende a manter o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em uma trajetória de cortes graduais da taxa básica de juros. A ata da reunião divulgada nesta semana reforçou essa leitura ao detalhar a decisão unânime de reduzir a Selic em 0,25%, para 13,75% ao ano. Os indicadores de atividade mostram efeitos da política monetária sobre a economia. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre, ante expansão de 1,1% nos três primeiros meses do ano. Entre os segmentos mais sensíveis aos juros, o setor de serviços avançou 0,2% e a indústria cresceu 0,1%, enquanto o consumo das famílias recuou 0,4%. No acumulado de 12 meses, a economia apresentou crescimento de 1,9%. O Ministério da Fazenda também revisou nesta semana sua projeção para o crescimento do PIB, de 2,3% para 2%. A ata manteve estrutura semelhante à do documento anterior, inclusive com a repetição de trechos. As alterações introduzidas, contudo, reforçaram a avaliação de um cenário de atividade econômica mais fraca.

Ao mesmo tempo, a política fiscal e as medidas de estímulo adotadas pelo governo dificultam a convergência da inflação para a meta, conforme reconhecido pelo próprio Banco Central. No mercado de crédito, o crédito livre, mais diretamente afetado pela política monetária restritiva, apresentou redução nas modalidades de prazo mais longo e desaceleração nas linhas emergenciais e de curto prazo. O crédito direcionado, por sua vez, continuou crescendo, apoiado por taxas mais baixas, subsídios e recursos de fundos garantidores, em meio às medidas de estímulo destinadas a pessoas físicas e empresas. A ata deixou em aberto a trajetória dos juros para as próximas reuniões, condicionando as decisões à evolução dos indicadores ao longo das próximas seis semanas. A sinalização foi suficiente para alterar parte das expectativas do mercado, apesar de as projeções para a inflação de 2026, 2027 e 2028 permanecerem acima do centro da meta. Após a divulgação da ata, 19 das 33 instituições consultadas passaram a projetar dois novos cortes de 0,25% nas reuniões de novembro e dezembro, levando a Selic a 13,25% ao ano no fim de 2026.

Outras 8 instituições projetam manutenção da taxa em 13,75% ao ano, enquanto 6 esperam mais um corte de 0,25%, para 13,50% ao ano. As projeções, entretanto, permanecem condicionadas à evolução dos indicadores até o fim do ano. Entre os fatores de risco está o comportamento do câmbio, especialmente diante da política monetária de Estados Unidos, Europa e Japão e dos movimentos recentes nas taxas de juros dessas economias, que alteram o diferencial de juros e podem afetar a atratividade dos ativos brasileiros para investidores estrangeiros. O cenário fiscal também deverá ganhar importância nos próximos meses. Até a reunião de dezembro, o Brasil já terá definido o próximo presidente da República, e as sinalizações sobre a condução das contas públicas poderão influenciar as expectativas de inflação, câmbio e juros. A definição sobre a adoção de medidas de ajuste fiscal será um dos elementos relevantes para a trajetória da política monetária a partir de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.