24/Sep/2026
O dólar fechou a sessão desta quarta-feira (23/09) com alta de 1,27% no Brasil, a R$ 5,16, reagindo à valorização da moeda norte-americana no exterior e à divulgação de nova pesquisa eleitoral. A cotação atingiu o maior nível de fechamento desde 31 de agosto, quando terminou em R$ 5,18. No acumulado de 2026, o dólar passou a registrar queda de 5,83%. A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em 23 de setembro mostrou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47,7% das intenções de voto em um eventual segundo turno e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 47,4%. A diferença de 0,3% está dentro da margem de erro, caracterizando empate técnico. Na pesquisa anterior, Lula tinha 46,8% e Flávio, 47,2%. A mudança na diferença numérica entre os dois candidatos ocorreu em um momento em que o mercado financeiro vinha acompanhando o chamado trade eleitoral, caracterizado pela combinação entre valorização do Ibovespa, queda do dólar e redução das taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) diante de determinadas alterações nas expectativas sobre a disputa presidencial.
O movimento cambial desta sessão refletiu a avaliação de agentes financeiros sobre o cenário político e, principalmente, sobre os possíveis impactos das diferentes trajetórias para as contas públicas e a dívida brasileira. No ambiente externo, o dólar ganhou força ante quase todas as principais moedas, com o mercado incorporando a possibilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed) no curto prazo. A perspectiva de maior pressão inflacionária relacionada à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã também contribuiu para a reprecificação das expectativas para a política monetária norte-americana. Outro fator de pressão foi o Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos Estados Unidos calculado pela S&P Global, que subiu para 58,4 em setembro, ante 56,0 em agosto.
O resultado foi o maior desde julho de 2021. Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade do setor privado, reforçando a percepção de maior dinamismo da economia norte-americana e de possível persistência das pressões inflacionárias. No mercado doméstico, o dólar registrou mínima intradia de R$ 5,12, com alta de 0,34%, antes de alcançar a máxima de R$ 5,17, avanço de 1,43%. A moeda permaneceu em patamares elevados até o encerramento. O Banco Central vendeu 30.000 contratos de swap cambial para 1º de outubro em operação de rolagem, sem efeito relevante sobre as cotações. O Banco Central avaliou que as mudanças nas taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos não devem provocar grandes oscilações no câmbio. O Banco Central informou saída líquida de US$ 7,078 bilhões do Brasil em setembro até o dia 18. O índice do dólar, que acompanha o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, avançava 0,54%, para 101,090. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.