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24/Sep/2026

Preços de commodities agrícolas iniciam ciclo de alta

Segundo a SLC Agrícola, o ciclo de baixa das commodities agrícolas iniciado em 2024 começou a se inverter em 2026, com perspectiva de recuperação dos preços de soja, milho e algodão. A avaliação considera a relação entre oferta e demanda e o crescimento do uso de biocombustíveis como fatores de sustentação, enquanto as condições climáticas e o ambiente geopolítico permanecem determinantes para a intensidade e a duração do movimento de alta. O processo de recuperação teria começado em meados de 2026, após um período de baixa observado em 2024, 2025 e no início de 2026. O aumento da demanda por biocombustíveis acrescenta consumo às commodities agrícolas e contribui para reduzir a folga entre oferta e demanda em algumas cadeias. O grau de aperto dos estoques, porém, varia entre as principais culturas. No milho, a relação entre estoques de passagem e consumo mundial está estimada em 21%, abaixo do nível de 27% considerado normal.

No trigo, a relação está em 33%, ante cerca de 35% como referência, enquanto na soja o cenário é mais confortável, com relação de 28%, pouco acima dos 27% considerados como parâmetro. A disputa por área entre milho e soja também exerce influência sobre a formação dos preços. A elevação da remuneração do milho tende a estimular maior área cultivada com o cereal e reduzir a área destinada à soja, contribuindo para uma reação das cotações da oleaginosa. Em um cenário de estoques mais apertados, os preços precisam permanecer em níveis suficientes para estimular a expansão da produção nos próximos anos, considerando o crescimento recorrente da demanda mundial. No algodão, a expectativa também é de preços mais elevados na próxima safra. As cotações avançaram de cerca de 65,00 para 80,00 centavos de dólar por libra-peso, com perspectiva de manutenção em patamares mais altos. Além da relação entre oferta e demanda, a redução dos estoques mundiais de algodão e o encarecimento do poliéster, principal concorrente da fibra na indústria têxtil, contribuem para o suporte às cotações.

A recuperação dos preços, contudo, não implica trajetória contínua de alta. O comportamento das próximas safras e a evolução das tensões geopolíticas serão determinantes para o equilíbrio entre oferta e demanda. Uma safra cheia pode manter os preços estáveis ou provocar algum recuo, enquanto uma produção abaixo do potencial pode ampliar a valorização das commodities. Preços excessivamente elevados também podem produzir efeitos sobre os ciclos seguintes, ao reduzir a demanda e estimular a expansão de área entre produtores concorrentes. Esse movimento pode resultar em aumento da oferta e formação de excedentes no período posterior. Nesse contexto, maior estabilidade das cotações tende a oferecer condições mais previsíveis ao mercado do que níveis muito elevados, que podem estimular ajustes de produção e consumo capazes de alterar o equilíbrio no ciclo seguinte. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.