24/Sep/2026
O mercado de celulose apresenta sinais temporários de melhora, principalmente no segmento de fibra curta (BHK), com compradores chineses retomando as aquisições após meses de cautela. O BTG Pactual avalia que o primeiro reajuste recente de preços na China ganhou tração, apoiado pela recomposição das compras e por estoques mais baixos. A Suzano anunciou um segundo aumento consecutivo de US$ 20,00 por tonelada no preço da BHK no mercado chinês, com efeito em outubro, após o reajuste aplicado em setembro. Os preços da fibra curta na China estão em torno de US$ 580,00 por tonelada. O novo reajuste pode elevar os preços realizados para próximo de US$ 600,00 por tonelada.
O movimento é classificado como uma recuperação de curto prazo, ou mini-cycle, e não como o início de um novo ciclo estrutural de alta. Ainda assim, o ambiente atual é considerado melhor do que o observado poucos meses atrás, com a Suzano apontada como a empresa preferida do setor em relação à Klabin. A melhora recente é atribuída à combinação de recomposição de estoques, demanda chinesa sazonalmente mais forte e condições de oferta mais favoráveis no curto prazo. As taxas de operação ao longo da cadeia produtiva estão melhorando, enquanto compradores que permaneceram fora do mercado voltam às aquisições à medida que os preços parecem ter encontrado um piso entre US$ 550,00 e US$ 560,00 por tonelada.
Outro fator de sustentação é o elevado custo dos cavacos de madeira importados na China, que mantém elevada a curva de custo marginal dos produtores locais. A inflação recente é estimada em aproximadamente US$ 50,00 por tonelada nos custos dos produtores chineses integrados. Do lado da oferta, a entrada de novos volumes relevantes de celulose de mercado permanece limitada até o fim de 2026. Nesse contexto, os preços da BHK podem testar US$ 600,00 por tonelada nos próximos meses, principalmente se o aumento de US$ 20,00 por tonelada anunciado para outubro for implementado conforme o cenário-base do banco.
A perspectiva para além do curto prazo, entretanto, é mais cautelosa. A rentabilidade da indústria de papel permanece fraca, e a recuperação atual está mais associada à recomposição de estoques e à disciplina de oferta do que a uma aceleração significativa da demanda final. Dessa forma, a sustentabilidade da recuperação dependerá da capacidade de melhora efetiva do consumo. O principal teste para o mercado será 2027, quando o balanço entre oferta e demanda tende a ficar mais desafiador. A China deve integrar produção e adicionar mais de 6 milhões de toneladas de capacidade integrada entre 2024 e 2027.
Também estão previstos o início do projeto Oki II, da APP, com capacidade de cerca de 1,4 milhão de toneladas por ano, no começo de 2027, e o projeto Sucuriú, da Arauco, com capacidade adicional de 3,5 milhões de toneladas por ano. O cenário indica melhora conjuntural para a celulose de fibra curta, sustentada pela retomada das compras chinesas, estoques mais baixos, custos elevados dos produtores locais e oferta adicional limitada até o fim de 2026. A entrada de novas capacidades a partir de 2027, contudo, deve aumentar novamente a pressão sobre o equilíbrio de mercado, tornando a evolução da demanda final um fator determinante para a continuidade da recuperação dos preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.