24/Sep/2026
Segundo a Fitch Ratings, o acordo firmado entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia reduz uma importante fonte de tensão entre Estados Unidos e a União Europeia, mas não elimina os riscos de novas disputas tarifárias nem as incertezas relacionadas à segurança transatlântica. O pacto, firmado na terça-feira (22/09), reafirma a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca e o direito da população da Groenlândia à autodeterminação. O acordo também amplia a possibilidade de atuação de segurança dos Estados Unidos na ilha e estabelece restrições a atividades de países externos à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e à União Europeia.
Caso seja implementado, o acordo tende a reduzir de forma significativa o risco de que a disputa envolvendo a Groenlândia resulte em uma escalada tarifária entre Estados Unidos e União Europeia. Permanecem, contudo, riscos relacionados à execução do pacto e à possibilidade de novas demandas norte-americanas por maior controle direto sobre a ilha. No comércio, há risco significativo de novas medidas tarifárias entre Estados Unidos e União Europeia em outras frentes. A Comissão Europeia poderá reagir caso o governo norte-americano não reduza para 15% ou menos, até o fim de 2026, as tarifas incidentes sobre derivados europeus de aço e alumínio. Entre as possíveis respostas estaria a suspensão de partes do acordo comercial firmado em 2025.
No campo da segurança, permanecem incertezas sobre a confiabilidade dos compromissos dos Estados Unidos com a Europa. A ausência de apoio europeu direto à ação militar norte-americana contra o Irã, a revisão da presença de tropas dos Estados Unidos no continente e as ameaças de retenção de contribuições à Otan ampliam as dúvidas sobre a coesão da aliança transatlântica. A Fitch também projeta maior pressão para a elevação dos gastos militares dos países europeus. Os integrantes da Otan concordaram em elevar os gastos centrais de defesa para 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035, ante mediana atual de cerca de 2,1% na União Europeia. O cumprimento dessa meta, porém, enfrenta restrições fiscais em países como França e Reino Unido. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.