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23/Sep/2026

El Niño já produz efeitos no Brasil e mobiliza governo

O governo federal já identifica os primeiros efeitos do fenômeno climático El Niño no Brasil e mantém uma força-tarefa envolvendo 24 ministérios e instituições para monitorar e responder aos impactos sobre agricultura, saúde, defesa civil e outras áreas. A estratégia prevê R$ 1,335 bilhão em recursos para ações de preparação e resposta a eventos climáticos nos próximos meses, com coordenação da Casa Civil e acompanhamento pela Sala de Situação do El Niño. Do total previsto, R$ 337 milhões foram liberados por meio de crédito extraordinário para ações de fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais. Outros R$ 998 milhões estão destinados a abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde e monitoramento dos rios. Dentro desse montante, R$ 850 milhões serão aplicados na aquisição de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz para formação de estoques públicos.

A Sala de Situação do El Niño reúne 24 ministérios e instituições e utiliza informações produzidas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Serviço Geológico do Brasil e Defesa Civil Nacional. A estrutura foi criada a partir de determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início do ano, para coordenar a atuação federal diante dos possíveis efeitos do fenômeno. A mobilização ocorre em um cenário de intensificação do El Niño, caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do Pacífico Equatorial. Na atualização de 10 de setembro, o Inmet informou que as projeções do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC/NOAA) indicavam probabilidade superior a 90% de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão de 2026/27 no Hemisfério Sul.

Para o trimestre de outubro a dezembro, a probabilidade de ocorrência do El Niño mais intenso registrado desde 1950 foi estimada em 75%. O reforço da estrutura do Inmet integra a estratégia de ampliação da capacidade de antecipação dos efeitos climáticos sobre a produção agropecuária. Após quase duas décadas sem concursos, o instituto recebeu 82 novos servidores, com autorização do Ministério da Agricultura para ampliar esse contingente em até 25% em 2026. Também foram firmados acordos para instalação de 220 novas estações meteorológicas em diferentes regiões do Brasil. No Rio Grande do Sul, 98 estações automáticas já foram instaladas como parte da modernização da rede de monitoramento. A ampliação da capacidade de previsão e monitoramento busca melhorar a qualidade e a velocidade das informações disponibilizadas aos produtores rurais. A estratégia inclui mais tecnologia, dados meteorológicos e previsões com maior precisão e antecedência, permitindo o planejamento das atividades agrícolas diante de condições climáticas adversas.

Outro instrumento destacado é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), utilizado para indicar épocas e regiões de plantio com menor exposição a perdas relacionadas às condições climáticas. A ferramenta ganha relevância em um cenário de maior risco climático, ao contribuir para a definição das janelas de plantio e para a redução da exposição da produção agropecuária a eventos extremos. A estratégia federal parte da premissa de que o comportamento do clima não pode ser controlado, mas seus impactos sobre a produção podem ser reduzidos por meio de monitoramento, previsão, planejamento e resposta antecipada. A intensificação do El Niño em 2026/27 aumenta a necessidade de integração entre órgãos públicos e de disseminação rápida das informações meteorológicas para o setor produtivo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.