23/Sep/2026
Brasil e Argentina defendem uma atuação coordenada do Mercosul para enfrentar regras e barreiras alfandegárias impostas por países desenvolvidos e ampliar a capacidade de negociação do bloco. A estratégia também busca posicionar a região como fornecedora estratégica diante do crescimento da demanda mundial por alimentos, energia e soluções relacionadas à sustentabilidade. A atuação conjunta é considerada relevante para aumentar o poder de negociação dos países do bloco diante da multiplicação de barreiras comerciais e regulatórias. A necessidade de coordenação ganha importância diante das diferenças entre as regras aplicadas pelos principais mercados desenvolvidos e os sistemas produtivos dos países do Mercosul. A atuação conjunta de Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai pode ampliar a capacidade de defesa dos interesses comerciais da região e reduzir os efeitos de medidas que dificultem o acesso dos produtos do bloco aos mercados internacionais.
As perspectivas de crescimento da demanda mundial reforçam a importância estratégica do agronegócio regional. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que, até 2050, o mundo deverá demandar aproximadamente 1 bilhão de toneladas adicionais de grãos e cereais e entre 350 milhões e 380 milhões de toneladas adicionais de proteínas. Nesse cenário, o Mercosul reúne condições para ampliar sua participação no atendimento da demanda global por alimentos. Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai possuem cadeias agropecuárias relevantes, disponibilidade de recursos naturais e capacidade de produção e exportação, fatores que ampliam o potencial do bloco como fornecedor internacional de alimentos.
A agricultura também é associada a três desafios globais: segurança alimentar, segurança energética e segurança climática. A produção agropecuária participa dessas três frentes por meio da produção de alimentos, da oferta de matérias-primas para biocombustíveis e da capacidade dos sistemas agrícolas e florestais de incorporar carbono por meio da fotossíntese. A coordenação comercial entre os países do Mercosul, portanto, ganha relevância não apenas para ampliar o acesso a mercados, mas também para fortalecer a posição do bloco nas discussões internacionais relacionadas a alimentos, energia, sustentabilidade e regras de comércio. A atuação conjunta é apontada como instrumento para ampliar a capacidade de negociação regional diante das transformações no comércio global. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.