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23/Sep/2026

EUA-China: reunião em meio a disputas estratégicas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe nesta semana em Washington o líder chinês, Xi Jinping, em meio à intensificação da competição econômica, tecnológica e estratégica entre as duas maiores economias do mundo. A inteligência artificial (IA) ocupa posição central nas divergências, ao lado de comércio, Irã e Taiwan, embora os dois governos também busquem preservar algum grau de estabilidade na relação bilateral. O encontro será o terceiro entre Trump e Xi desde o retorno do republicano à Casa Branca e ocorrerá a partir desta quarta-feira (23/09), na primeira visita de Xi a Washington em dez anos. Os governos não trabalham com a expectativa de um grande acordo, mas a reunião deverá ser utilizada para administrar disputas e manter canais de diálogo. O encontro ocorre após Estados Unidos e China recuarem da guerra comercial do ano passado, marcada por tarifas elevadas e restrições chinesas ao fornecimento de minerais críticos.

Apesar da trégua comercial, a competição permanece intensa. Os Estados Unidos buscam reduzir desequilíbrios comerciais e preservar sua liderança tecnológica, enquanto a China procura consolidar sua posição econômica, tecnológica e militar. A estabilidade buscada pelos dois lados ocorre, portanto, em um ambiente de competição estrutural, com medidas de restrição a empresas, produtos e tecnologias consideradas estratégicas. A inteligência artificial tornou-se um dos principais pontos de disputa. Trump tem defendido que a liderança nessa tecnologia é estratégica e afirmou que os Estados Unidos estão à frente da China. A China, por sua vez, trata a IA como uma questão de segurança nacional. O Ministério da Segurança do Estado chinês avalia que uma eventual superioridade estrangeira no setor poderia representar ameaça ao domínio do Partido Comunista. Os Estados Unidos mantêm restrições à exportação para a China dos chips de IA mais avançados e acusam desenvolvedores chineses de utilizar modelos norte-americanos em larga escala para ampliar suas capacidades.

A China considera a chamada destilação, processo de utilização de modelos existentes para desenvolver sistemas próprios, uma prática comum no setor e acusa os Estados Unidos de tentarem concentrar o domínio tecnológico. Mesmo diante da disputa, existem possibilidades de cooperação limitada. Os Estados Unidos propuseram um mecanismo de notificação para incidentes envolvendo IA que possam ter impacto sobre a segurança nacional. A iniciativa busca ampliar a transparência entre as duas principais potências no desenvolvimento da tecnologia. No comércio, Estados Unidos e China vêm evitando medidas abrangentes capazes de romper a trégua, mas continuam adotando restrições direcionadas. O governo norte-americano impôs limitações a equipamentos chineses de telecomunicações e vigilância, robôs, drones e empresas acusadas de utilizar trabalho forçado em Xinjiang. O Pentágono também proibiu Alibaba, BYD, Baidu e outras empresas de participar de contratos de defesa.

A China respondeu com controles de exportação sobre drones e tecnologias relacionadas e incluiu seis empresas norte-americanas em uma lista de restrições. O movimento indica a manutenção de medidas seletivas de contenção, enquanto os dois países procuram administrar a competição sem interromper completamente o diálogo entre os governos. As tarifas permanecem como outro ponto de tensão. Depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar parte das tarifas impostas pelo governo Trump, a Casa Branca buscou outras bases legais para mantê-las. Em julho, o governo anunciou uma tarifa de 12,5% sobre importações de 60 parceiros comerciais, incluindo a China, e planeja aplicar uma sobretaxa adicional de 7,5% sobre produtos chineses. Irã e Taiwan também integram a agenda de divergências. Os Estados Unidos procuram ampliar o isolamento econômico do Irã, enquanto a China sustenta o direito de manter relações comerciais com o país.

A China é a maior compradora de petróleo iraniano e a principal parceira comercial do Irã, o que a coloca no centro das discussões sobre as sanções norte-americanas. Em relação a Taiwan, Trump suspendeu um grande pacote de armas após sua visita a Pequim em maio. A ilha é reivindicada pela China, enquanto os Estados Unidos mantêm obrigação legal de fornecer meios para sua autodefesa. A questão dos equipamentos militares deverá permanecer entre os temas sensíveis da reunião, com expectativa de pressão chinesa para novos adiamentos das vendas de armamentos. O encontro entre Trump e Xi ocorre, portanto, em um cenário de competição prolongada, no qual comércio, tecnologia, segurança e geopolítica estão cada vez mais interligados. A manutenção de canais de negociação e a busca por mecanismos capazes de limitar a escalada das disputas passam a coexistir com medidas de restrição em setores considerados estratégicos por ambos os países.

Ainda, o presidente da China, Xi Jinping, provavelmente não levará uma delegação de executivos empresariais a Washington para o encontro com o presidente Donald Trump. A ausência reduziria as expectativas de grandes acordos comerciais na cúpula, embora os preparativos ainda possam mudar. Havia expectativa de que CEOs chineses participassem do jantar de Estado na quinta-feira (24/09) ao lado de executivos norte-americanos de tecnologia e IA. Assim, a reunião deve se concentrar mais em preservar a trégua comercial, com possível extensão do acordo, cortes tarifários em produtos não sensíveis e avanços graduais em comércio e investimentos. Fontes: Broadcast Agro e The Wall Street Journal. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.