22/Sep/2026
O dólar fechou em queda de 0,70% nesta segunda-feira (21/09), a R$ 5,10, em um ambiente externo de maior apetite ao risco e com a eleição presidencial de 2026 no radar dos mercados. O movimento ocorreu em meio à quarta queda consecutiva do petróleo, embora o Brent permaneça próximo de US$ 100,00 por barril, e à expectativa de melhora nas relações entre Estados Unidos e China. Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping têm reunião prevista nesta semana, em meio a negociações envolvendo tarifas e inteligência artificial. O Real figurou entre as três moedas mais líquidas com melhor desempenho no mercado global, em um movimento associado por operadores ao aumento das apostas em uma eventual vitória da oposição na disputa presidencial e à expectativa de ajuste das contas públicas. A avaliação de agentes de mercado também passou a incorporar sinais de maior confiança em uma mudança de governo, embora haja cautela quanto à sustentação desse cenário.
Dados do Polymarket indicam a probabilidade de mudança de governo no maior nível da série, movimento considerado potencialmente exagerado diante das incertezas eleitorais. A leitura reforça que parte do mercado já incorpora antecipadamente possíveis efeitos fiscais associados ao resultado da eleição. Em setembro, o dólar acumula queda de 1,38% ante o Real, após valorização de 2,16% em agosto. No acumulado de 2026, a moeda norte-americana recua 6,93%, enquanto o Real permanece entre as cinco moedas com maiores ganhos ante o dólar no ano. Outro fator de atenção é o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Uma combinação de maior aperto monetário nos Estados Unidos com eventuais cortes mais agressivos da Selic poderia reduzir a atratividade das operações de carry trade e limitar a valorização do Real.
Apesar da apreciação da moeda brasileira, os sinais no mercado indicam demanda elevada por dólares. Houve queda do chamado casado, que representa a diferença entre o dólar à vista e o futuro, simultaneamente ao aumento do cupom cambial, correspondente à taxa de juros em dólar praticada no Brasil. A dinâmica indica uma procura por moeda norte-americana acima do padrão considerado normal para esta época do ano, embora sem caracterizar escassez de liquidez capaz de provocar disfuncionalidade no mercado. O Banco Central já realizou três intervenções no mercado cambial em setembro, com oferta total de US$ 3 bilhões no mercado spot. Desse montante, US$ 2 bilhões foram ofertados de forma conjugada com venda de dólar futuro, por meio de swaps cambiais reversos, enquanto US$ 1 bilhão foi disponibilizado por meio de linha, operação com cláusula de recompra.
A possibilidade de novas atuações permanece no radar dos operadores caso não haja mudança na dinâmica dos fluxos cambiais. No exterior, o dólar ganhou força ante o euro, o iene e a libra, enquanto apresentava desempenho inferior ao de parte das moedas emergentes. O índice DXY subia 0,21%, aos 100,428 pontos. As taxas dos Treasuries de 2 anos registravam leve alta, em movimento contrário ao observado nos títulos de prazo mais longo, refletindo a percepção de maior possibilidade de aperto monetário adicional nos Estados Unidos. A alta dos rendimentos dos títulos soberanos passou a ser liderada pelos papéis de curto prazo, em um cenário de revisão para cima das projeções de política monetária nos países desenvolvidos. O movimento contribui para o fortalecimento do dólar frente às principais moedas e mantém o diferencial de juros globais como fator relevante para a direção do câmbio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.