22/Sep/2026
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a primavera deve começar com condições distintas para a implantação da safra de soja 2026/27 no Centro-Oeste. Mato Grosso do Sul e áreas do sul de Goiás e de Mato Grosso tendem a receber volumes de chuva mais favoráveis ao plantio, enquanto o norte de Mato Grosso e de Goiás pode enfrentar déficit hídrico no início do ciclo. A previsão consta de nota técnica conjunta elaborada com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe) e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O cenário ocorre em meio ao fortalecimento do El Niño. As águas do Pacífico Equatorial apresentam aquecimento compatível com o fenômeno desde março. As previsões da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam 98% de probabilidade de ocorrência de El Niño muito forte no trimestre de outubro a dezembro, considerando o indicador utilizado pelo órgão norte-americano.
Para o Centro-Oeste, o prognóstico climático para outubro, novembro e dezembro aponta chuvas abaixo da média no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás. Em Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás, por outro lado, a tendência é de volumes acima da média. As temperaturas devem superar os níveis históricos em grande parte da região, com desvios de até 2°C no norte de Mato Grosso. A combinação de menor volume de chuva e temperaturas elevadas tende a aumentar a perda de água do solo no norte de Mato Grosso e de Goiás. Essa condição eleva o risco de déficit hídrico durante a implantação da soja e exige atenção à escolha da janela de semeadura para reduzir o risco de falhas na emergência das plantas e necessidade de replantio. Em Mato Grosso do Sul e nas áreas ao sul de Goiás e de Mato Grosso, os maiores volumes de chuva previstos tendem a favorecer a semeadura e o desenvolvimento inicial da oleaginosa.
O Matopiba, formado por áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, também deve enfrentar condições mais desafiadoras no início da nova safra de grãos. A previsão indica chuvas mais irregulares e temperaturas elevadas, combinação que pode aumentar a perda de água do solo. Nas áreas de sequeiro, dependentes diretamente das precipitações, o início irregular do período úmido pode dificultar a emergência e o estabelecimento das lavouras. No Sudeste, o cenário tende a ser mais favorável em importantes áreas agrícolas. São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais podem registrar chuvas acima da média, com desvios de até 100 milímetros no trimestre. No Espírito Santo, por outro lado, a previsão indica déficit de chuva, com desvios negativos de até 50 milímetros. Em São Paulo e no sul de Minas Gerais, as condições são consideradas favoráveis à implantação de soja e milho, com maior disponibilidade de água no solo. No norte e no noroeste de Minas Gerais, a combinação de chuva mais irregular e temperaturas elevadas aumenta o risco para a soja.
Na Região Sul, a previsão indica chuvas acima da média nos três Estados, com os maiores excessos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde os acumulados podem superar a média histórica do trimestre em até 200 milímetros. A maior disponibilidade de água tende a beneficiar as culturas de verão e as pastagens, mas a frequência das chuvas pode reduzir as janelas de plantio e dificultar a entrada de máquinas nas lavouras. Essas condições também podem prejudicar a uniformidade da emergência da soja e do milho de verão (1ª safra 2026/2027). Para o arroz irrigado, o excesso de chuva pode representar um problema em áreas do Sul com drenagem deficiente, elevando o risco de excesso de água no solo durante a emergência e o estabelecimento inicial das lavouras. A primavera começa em 22 de setembro, às 21h05, e se estende até 21 de dezembro. A estação marca a transição entre os períodos seco e chuvoso no centro do Brasil e coincide com o início do plantio das principais culturas de verão. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.