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22/Sep/2026

Setor industrial: redução da intenção de investimento

O índice que mede a intenção de investimento da indústria recuou 1,3 ponto em setembro, de 52,6 para 51,3 pontos, atingindo o menor nível desde agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19. O resultado consta da Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e representa a quarta queda consecutiva do indicador, em uma sequência iniciada em maio. Desde então, o índice acumula retração de 3,5 pontos. A redução da intenção de investimento ocorre em um ambiente de perda de ritmo da atividade industrial e de aumento das incertezas, fatores que contribuem para a maior cautela das empresas em relação a novos aportes nos próximos meses. Em setembro, os quatro indicadores de expectativas da indústria apresentaram recuo. O índice de expectativa de demanda por produtos caiu 1,4 ponto, para 51,2 pontos, enquanto o indicador de expectativa de compra de insumos e matérias-primas recuou 0,8 ponto, para 50,4 pontos.

A expectativa para a quantidade exportada diminuiu 0,6 ponto, para 48,9 pontos, e a projeção para o número de empregados caiu 0,2 ponto, para 49,2 pontos. Apesar dos recuos, os indicadores de expectativa de demanda por produtos industriais e de compra de insumos e matérias-primas permaneceram acima da linha divisória de 50 pontos, indicando expectativa de crescimento da demanda e das aquisições de insumos e matérias-primas nos próximos seis meses, embora em ritmo mais moderado do que o projetado em agosto. As expectativas de redução da quantidade exportada e do número de empregados se intensificaram. O índice de evolução da produção industrial apresentou forte retração em agosto, de 4,7 pontos, passando de 51 para 46,3 pontos. Com o resultado, o indicador deixou o campo positivo, definido por níveis acima de 50 pontos, e passou a indicar redução da produção industrial em relação a julho.

O resultado foi o pior para o mês de agosto desde 2015, quando a economia brasileira atravessava um período de recessão. O desempenho também destoou do comportamento sazonal observado nos últimos anos. Nos últimos 11 anos, o índice de evolução da produção ficou abaixo de 50 pontos em agosto somente em 2025 e 2026. A perda de ritmo da produção está associada à redução contínua da demanda por bens industriais e ao aumento das incertezas internas e externas. A proximidade das eleições também é apontada como um fator de imprevisibilidade para as empresas, contribuindo para maior cautela nas decisões relacionadas a investimentos, produção e contratação. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) recuou 1% em agosto, para 69%, ficando 2% abaixo da média registrada para o mês. O enfraquecimento da atividade industrial também afetou o emprego.

O índice de evolução do número de empregados caiu 0,4 ponto em relação a julho, para 48,2 pontos, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos. O índice de evolução do nível de estoques recuou 1,5 ponto, de 51 para 49,5 pontos. A leitura abaixo de 50 pontos indica redução dos estoques de produtos finais da indústria na passagem de julho para agosto. Apesar da queda, os estoques permaneceram próximos do nível considerado planejado pelas empresas. O índice de estoque efetivo-planejado avançou 0,2 ponto, para 50,4 pontos. A Sondagem Industrial da CNI consultou 1.403 empresas entre 1º e 11 de setembro, sendo 587 pequenas, 487 médias e 329 grandes. Os resultados apontam combinação de menor intenção de investimento, desaceleração da produção, redução da utilização da capacidade instalada e maior cautela nas expectativas para os próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.