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22/Sep/2026

ONU reúne líderes sob pressão geopolítica e climática

Líderes mundiais se reúnem nesta semana na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), em meio à intensificação de conflitos, ao avanço do aquecimento global, à elevação dos custos de vida e aos riscos associados ao desenvolvimento da inteligência artificial. A reunião anual de alto nível da Assembleia Geral da ONU deve concentrar as discussões nos conflitos no Irã, em Gaza, na Ucrânia, no Sudão, no Congo e em Mianmar, além das dificuldades de coordenação internacional para conter essas crises. As mudanças climáticas, o aumento das desigualdades dentro e entre países e os impactos dos choques sobre a economia mundial também estarão entre os principais temas. O bloqueio de rotas marítimas e os problemas nas cadeias globais de suprimentos têm elevado custos e contribuído para desacelerar o crescimento econômico, enquanto eventos climáticos adversos ampliam as pressões sobre populações em diferentes regiões.

O futuro institucional da ONU também estará em discussão. Aos 81 anos, a organização mantém uma estrutura de distribuição de poder baseada na ordem estabelecida após a Segunda Guerra Mundial, apesar das mudanças na participação relativa das principais economias e potências globais. Os 193 países-membros aprovaram um amplo pacote de reformas, incluindo mudanças em instituições centrais como o Conselho de Segurança, no qual Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França possuem poder de veto. A implementação dessas mudanças, porém, permanece um desafio. A sucessão do secretário-geral Antonio Guterres também deve ganhar espaço nas discussões. O segundo mandato de cinco anos termina em 31 de dezembro e, até o momento, não há um sucessor definido. Apesar das dificuldades institucionais e financeiras, a ONU permanece como o principal fórum multilateral de reunião dos 193 países-membros. Cerca de 130 chefes de Estado e de governo devem participar dos discursos da Assembleia Geral a partir de 22 de setembro, além de dezenas de ministros.

Entre os participantes previstos estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da França, Emmanuel Macron, que discursam após a abertura de Guterres sobre o cenário internacional. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, têm discursos previstos para 23 de setembro, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deve falar em 24 de setembro. Pelo segundo ano consecutivo, o presidente palestino Mahmoud Abbas não participará presencialmente da Assembleia Geral após os Estados Unidos recusarem a concessão de visto, mas a previsão é de participação por vídeo. Pelo acordo de sede da organização, os Estados Unidos têm a obrigação de permitir a participação de diplomatas dos países-membros nas reuniões da ONU. A ausência de alguns dos principais líderes também deve marcar o encontro. O presidente da China, Xi Jinping, que tem reunião prevista com Trump em Washington, não participará da Assembleia e enviará um vice-presidente.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também não irá ao encontro, enquanto o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, desistiu da viagem. A ONU chega à Assembleia Geral após um ano de dificuldades para exercer sua função central de preservação da paz e da segurança internacionais e de mediação em grandes conflitos, especialmente no Oriente Médio e na Ucrânia. A situação financeira da organização também permanece pressionada pela falta de pagamento de bilhões de dólares em contribuições atrasadas pelos Estados Unidos. Nos últimos dias, os Estados Unidos pagaram US$ 725 milhões referentes às contribuições ao orçamento regular deste ano, valor suficiente para evitar a perda do direito de voto do país na Assembleia Geral. O pagamento foi interpretado como sinal de manutenção da participação norte-americana na organização. A inteligência artificial ganhou espaço adicional na agenda internacional diante das preocupações sobre os riscos associados ao desenvolvimento da tecnologia sem mecanismos adequados de controle.

Antes da Assembleia, líderes de três grandes empresas do setor defenderam uma pausa no avanço de determinadas tecnologias diante do risco de perda de controle humano. O governo Trump rejeitou essas preocupações e defendeu a continuidade dos investimentos para preservar a liderança dos Estados Unidos diante da China. O Conselho de Segurança prevê uma reunião de alto nível sobre inteligência artificial em 23 de setembro. Na mesma data, também está programado um encontro sobre a Ucrânia, com participação de Zelensky. Esta será a última Assembleia Geral com participação de líderes mundiais durante o mandato de Guterres. O secretário-geral deve destacar em seu discurso o deslocamento do poder global em um período de elevada incerteza e defender a ampliação da cooperação internacional diante de ameaças globais, incluindo conflitos, mudanças climáticas e riscos associados a novas tecnologias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.