21/Sep/2026
Segundo a EarthDaily, as chuvas dos últimos dias melhoraram a umidade do solo em importantes regiões produtoras do Centro-Sul e as condições para o início da safra de soja 2026/27, mas Mato Grosso ainda apresenta déficit hídrico e pode ter recuperação limitada nas próximas semanas. O cenário mantém sob acompanhamento o ritmo de semeadura da soja e o estabelecimento inicial das lavouras no Estado. Nos últimos dez dias, os maiores volumes de chuva se concentraram nas Regiões Sul e Sudeste, com acumulados superiores a 100 milímetros em algumas áreas. Em relação à média histórica, as precipitações ficaram significativamente acima do normal em grande parte do Centro-Sul, incluindo Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. As temperaturas mais baixas também contribuíram para preservar a água disponível no solo.
A menor perda de umidade para a atmosfera, combinada às chuvas recentes, elevou os níveis de água no solo para patamares acima da média principalmente em São Paulo, Paraná e áreas de Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso, o cenário permanece mais restritivo. Apesar do retorno das precipitações, os volumes acumulados em setembro continuam abaixo da média, enquanto a umidade do solo permanece em níveis baixos. Segundo a EarthDaily, a recuperação esperada para as próximas semanas ainda é limitada. Para 24 de setembro, o modelo meteorológico europeu ECMWF (European Centre for Medium-Range Weather Forecasts) mantém a indicação de déficit de umidade no Estado. A incerteza é ampliada pela divergência entre os principais modelos meteorológicos para o Centro-Oeste.
O ECMWF projeta volumes próximos ou acima da média em partes de Mato Grosso do Sul e áreas próximas, enquanto o modelo norte-americano GFS (Global Forecast System) indica condições significativamente mais secas que o normal em grande parte de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. A evolução da safra de verão (1ª safra 2026/2027) dependerá do comportamento das chuvas nas próximas semanas. A divergência das projeções para o Centro-Oeste aumenta a incerteza sobre a distribuição das precipitações e, caso prevaleça o cenário mais seco, a recuperação da umidade do solo poderá ser limitada, com potencial para desacelerar a semeadura da safra 2026/27 principalmente nas áreas onde o déficit hídrico ainda persiste. No Paraná, o quadro é oposto. Os acumulados de chuva em setembro se aproximam de 140 milímetros e podem superar 200 milímetros nas próximas semanas, conforme o ECMWF.
A elevada umidade favorece a implantação das culturas de verão, mas aumenta a pressão sobre as lavouras de trigo, com maior risco de doenças, dificuldades nas operações de campo e perda de qualidade dos grãos nas áreas mais avançadas. No Rio Grande do Sul, o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI), indicador obtido por imagens de satélite utilizado para acompanhar as condições da vegetação, permaneceu acima da média durante boa parte do ciclo. O índice começou a recuar mais recentemente, movimento que pode estar relacionado à maturação do trigo, mas que requer acompanhamento diante da persistência da umidade elevada. A continuidade das chuvas pode aumentar a incidência de doenças e afetar a qualidade dos grãos. Para a cana-de-açúcar do Centro-Sul, as precipitações dos últimos dez dias chegaram a provocar condições para interrupções pontuais das operações.
A previsão, contudo, indica volumes menores na maior parte dos próximos dias. Episódios de chuva de aproximadamente 12 milímetros podem interromper temporariamente a colheita e reduzir o ritmo de moagem, mas, fora desses períodos, as condições tendem a permanecer predominantemente favoráveis aos trabalhos no campo. O cenário climático, portanto, apresenta melhora para o início da safra de soja em boa parte do Centro-Sul, mas mantém Mato Grosso como principal ponto de atenção. A persistência do déficit hídrico no Estado e a divergência entre ECMWF e GFS tornam o comportamento das chuvas nas próximas semanas determinante para a evolução da semeadura e do estabelecimento inicial das lavouras de soja 2026/27. Ao mesmo tempo, o excesso de umidade no Rio Grande do Sul e no Paraná desloca os riscos para as lavouras de trigo, enquanto a cana-de-açúcar enfrenta apenas interrupções pontuais nas operações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.