18/Sep/2026
O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira (17/09) em queda de 0,23%, a R$ 5,13, após uma sessão de forte oscilação provocada inicialmente pelo anúncio do reajuste de 15% no Bolsa Família. A moeda norte-americana chegou a atingir a mínima de R$ 5,12 no início dos negócios e avançou até R$ 5,17, mas perdeu força e retomou a trajetória de baixa. No acumulado da semana, porém, o dólar ainda registra alta de 0,27%. A recuperação do Real ocorreu sem um gatilho específico no mercado doméstico e foi associada principalmente ao ambiente de maior apetite ao risco no exterior, favorecido pela acomodação dos preços do petróleo e das curvas de juros globais. Também contribuiu a percepção entre agentes financeiros de que o reajuste do Bolsa Família não deve produzir, de forma automática, alteração relevante nas expectativas para a corrida presidencial.
No exterior, o dólar também perdeu força após a alta registrada na sessão anterior, quando o mercado reagiu ao tom mais duro do presidente do Federal Reserve (Fed). O banco central dos Estados Unidos elevou a taxa básica em 0,25%, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, em linha com as expectativas. O índice DXY, que acompanha o comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, oscilou próximo da estabilidade, em torno de 100,200 pontos. O indicador acumula alta superior a 1% na semana e próxima de 2% no ano. A reação das moedas emergentes ficou abaixo da pressão inicialmente esperada após a decisão do Fed, apesar da perspectiva de continuidade do aperto monetário nos Estados Unidos, em um ambiente de mercado de trabalho ainda apertado e sem sinais claros de desaceleração da inflação. No mercado doméstico, o Real continua encontrando suporte na melhora dos termos de troca, especialmente pela valorização do petróleo.
O contrato do Brent para novembro encerrou em queda de 0,95%, a US$ 104,82 por barril, mas acumula alta próxima de 14% no mês e superior a 70% no ano. O diferencial entre os juros domésticos e externos também permanece elevado, mesmo após a elevação da taxa nos Estados Unidos e a redução da Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 0,25%, para 13,75% ao ano. O comunicado do Copom manteve a possibilidade de novos cortes, o que mantém o diferencial de juros como fator relevante para os fluxos cambiais. O Real permanece amparado por fatores externos e domésticos, especialmente pelos termos de troca e pelo diferencial de juros. No caso do reajuste do Bolsa Família, a leitura predominante é de que a medida não representa, no curto prazo, mudança fiscal relevante. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.