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18/Sep/2026

El Niño mantém risco de queimadas e chuva irregular

Segundo a Ampere Meteorologia, a intensificação do El Niño deve manter elevado o risco de queimadas no Brasil pelo menos até o fim de outubro, apesar da forte redução dos focos de incêndio registrada em 2026. A previsão é de chuva abaixo da média nas Regiões Norte e Nordeste em setembro e maior irregularidade das precipitações no centro-norte do País nos próximos meses, cenário que pode prolongar a disponibilidade de vegetação seca e favorecer a ocorrência e a propagação do fogo. O El Niño deve atingir intensidade muito forte nos próximos meses, com potencial para elevar as temperaturas, favorecer ondas de calor e aumentar a irregularidade das chuvas. Períodos mais prolongados de tempo seco combinados com temperaturas elevadas tendem a ampliar o risco de incêndios, principalmente nas regiões em que a distribuição das precipitações for mais irregular. Entre 1º de janeiro e 30 de agosto, o Brasil registrou aproximadamente 44 mil focos de queimadas, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O volume é o menor da série histórica iniciada em 1998. No mesmo intervalo de 2024 e 2025, foram contabilizados cerca de 280 mil e 135 mil focos, respectivamente. Imagens de satélite também mostram uma redução na concentração de fumaça. No início de setembro de 2024, extensas áreas de fumaça associadas a queimadas e incêndios florestais cobriam partes da América do Sul, enquanto em setembro de 2025 e 2026 a concentração foi menor. As condições meteorológicas observadas durante o inverno contribuíram para limitar a ocorrência de incêndios em 2026. A maior frequência de sistemas frontais em parte do Centro-Sul e períodos mais curtos de calor e vento reduziram, em determinados momentos, a persistência de condições extremamente secas e quentes em áreas do Cerrado, do Pantanal e da Amazônia. A umidade do solo também apresentou condições mais favoráveis.

Em 31 de agosto, os níveis estavam melhores do que os registrados em 2024 e, em grande parte das áreas, semelhantes aos de 2025. Apesar da redução dos focos, a temporada de queimadas ainda exige monitoramento, principalmente diante da perspectiva de intensificação do El Niño. O acompanhamento das condições meteorológicas permite antecipar períodos de maior risco e identificar regiões mais suscetíveis à ocorrência e à propagação do fogo, com relevância para áreas agrícolas, florestais e de vegetação natural. O cenário também incorpora o avanço das políticas de prevenção e manejo integrado do fogo. A Lei nº 14.944, de julho de 2024, instituiu a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, estabelecendo medidas de prevenção, planejamento, monitoramento, uso controlado ou prescrito do fogo e combate aos incêndios. A combinação entre as condições climáticas previstas e as ações de prevenção será determinante para a evolução da temporada até o fim de outubro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.