ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

18/Sep/2026

Guerra entre EUA e Irã acelera transição energética

A guerra contra o Irã e o choque nos preços de petróleo e gás vêm acelerando políticas de energia limpa e medidas de eficiência energética em diferentes países, mas o movimento ainda não é suficiente para conter o aumento das emissões globais de gases de efeito estufa. Desde o início do conflito, em fevereiro, mais de 30 governos anunciaram ou implementaram iniciativas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, ampliar a eficiência e acelerar a eletrificação. Mesmo assim, as emissões globais subiram levemente no 1º semestre de 2026, enquanto os investimentos em energia solar e eólica recuaram ante o mesmo período de 2025. O cenário evidencia a coexistência de estratégias voltadas à transição energética e à manutenção ou expansão da oferta de combustíveis fósseis. O conflito elevou os custos e os riscos associados à dependência de petróleo e gás, fortalecendo o interesse por fontes renováveis e eletrificação, mas os efeitos das políticas recém-adotadas ainda levam tempo para aparecer.

Reino Unido e países asiáticos ilustram essa combinação de movimentos. Enquanto o Reino Unido registra aumento das instalações solares, o governo avalia ampliar a produção de gás. Na Indonésia, parte das usinas a diesel vem sendo substituída por geração solar, ao mesmo tempo em que o país reforça o uso de carvão para atender à demanda das indústrias pesadas. Dados do Clean Investment Monitor, do Rhodium Group, mostram que o investimento global na implantação de energia solar e eólica caiu no 1º semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, depois de anos de expansão. A China respondeu pela maior parte da retração. Em Estados Unidos, Europa e Índia, regiões mais expostas às oscilações dos preços de petróleo e gás, os investimentos em energia solar avançaram, enquanto os aportes em energia eólica permaneceram estáveis ou cresceram.

Até 9 de setembro, a Agência Internacional de Energia (AIE) contabilizava 33 governos que haviam adotado políticas em resposta ao choque provocado pelo conflito. Entre as medidas estão incentivos a veículos elétricos, expansão da infraestrutura de recarga, ampliação da geração renovável, substituição de caldeiras a gás por bombas de calor e programas de modernização de edifícios para reduzir o consumo de energia. Na China, as iniciativas incluem aumento da eficiência energética da indústria pesada e eletrificação de veículos pesados. Índia e Indonésia promovem a utilização de fogões elétricos como alternativa ao gás importado. No Laos, a suspensão das importações de veículos a gasolina e diesel até 2026 busca estimular a adoção de veículos elétricos. Apesar da ampliação dessas políticas, as emissões globais continuam em trajetória de alta.

Dados do Climate TRACE indicam crescimento de 0,2% nas emissões de gases de efeito estufa no 1º semestre de 2026 ante o mesmo período de 2025. As emissões do transporte rodoviário aumentaram, enquanto as do setor elétrico recuaram. As emissões do transporte marítimo também diminuíram, possivelmente em consequência do fechamento do Estreito de Ormuz. O conflito também elevou de forma significativa os custos para países importadores de combustíveis fósseis. Estudo do Centre for Research on Energy and Clean Air estima que esses países desembolsaram US$ 330 bilhões adicionais em relação ao que era esperado antes da guerra, no maior choque sustentado desde a Guerra do Golfo de 1990. União Europeia, China e Índia estão entre as economias mais afetadas pelo aumento dos custos de importação. Ao mesmo tempo, investimentos realizados anteriormente em energia limpa contribuíram para reduzir a exposição à volatilidade dos combustíveis fósseis.

O estudo estima que esses investimentos evitaram US$ 36 bilhões em importações de combustíveis fósseis nos cinco primeiros meses do conflito, indicando que a expansão de fontes alternativas também funciona como mecanismo de segurança energética. O impacto final do conflito sobre a participação de fontes renováveis e fósseis na matriz energética ainda não está definido. O aumento dos preços de petróleo e gás e a maior preocupação com a segurança do abastecimento reforçam a atratividade econômica e estratégica da transição energética, além dos objetivos climáticos. Ao mesmo tempo, a dependência estrutural de carvão, petróleo e gás permanece elevada, e os investimentos e políticas adotados em 2026 ainda não produziram efeitos suficientes para reverter o crescimento das emissões globais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.