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18/Sep/2026

Copom reduz Selic e mantém espaço a novos cortes

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu, no dia 16 de setembro, a taxa Selic em 0,25%, para 13,75%, conforme esperado pelo mercado, e adotou uma comunicação mais amena em relação à reunião de agosto. O comunicado reconheceu explicitamente a moderação gradual da atividade econômica e a desaceleração da inflação, mantendo espaço para a continuidade do ciclo de redução dos juros, embora sem sinalização explícita sobre a próxima decisão. Na avaliação do Copom, a safra mais recente de indicadores mostra moderação gradual da atividade econômica, principalmente nos setores mais cíclicos. O comitê também destacou a desaceleração da inflação cheia e das medidas subjacentes, que permanecem abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas ainda acima da meta.

A projeção para a inflação no horizonte relevante da política monetária, o primeiro trimestre de 2028, foi mantida em 3,2%, próxima da meta. A comunicação do Banco Central indica que a política monetária vem produzindo efeitos de contenção sobre a atividade econômica e, consequentemente, sobre a inflação. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária manteve a avaliação de que a política precisa permanecer em território restritivo, diante de um balanço de riscos para a inflação ainda assimétrico para cima. O Copom reiterou a necessidade de serenidade e cautela na condução da política monetária. A alteração da linguagem em relação ao comunicado anterior reforçou a percepção de maior confiança no processo de desaceleração.

Em agosto, o comitê havia utilizado o termo sugere ao descrever a perda de ritmo da atividade, enquanto agora passou a utilizar mostra. A mudança foi destacada por economistas como indicativo de maior convicção sobre a moderação da economia. O Itaú avalia que, caso a taxa de câmbio permaneça próxima dos níveis atuais, haverá condições para novas reduções da Selic nas duas últimas reuniões do Copom de 2026. A instituição considera que houve moderação dos segmentos cíclicos do Produto Interno Bruto (PIB) e desaceleração da inflação, que voltou para dentro do intervalo de tolerância em torno da meta, embora ainda permaneça acima de 3%. O comunicado indica ganho de confiança no diagnóstico de desaceleração da economia.

O corte para 13,75% pode ser o último do ano, embora os indicadores a serem divulgados possam abrir espaço para novas reduções. A projeção da instituição incorpora depreciação cambial no fim do ano e viés de alta para a inflação de 2027, especialmente em razão dos efeitos do El Niño, além de incertezas relacionadas ao petróleo e ao cenário externo. O Santander também identifica alterações marginalmente favoráveis à continuidade da flexibilização monetária, principalmente na avaliação da atividade e na manutenção da projeção de inflação no horizonte relevante. A instituição, contudo, considera o comunicado neutro em termos de direcionamento e mantém a expectativa de pausa no ciclo de cortes até o fim de 2026, seguida por redução acumulada de 1% da Selic em 2027.

O comunicado não reforça uma Selic de 13,75% ao fim de 2026 e mantém aberta a possibilidade de novos ajustes. Entre as variáveis que poderão determinar a trajetória dos juros estão o câmbio, a atividade econômica, a inflação e os efeitos do cenário político sobre os ativos financeiros. A dinâmica dos preços e uma eventual descompressão adicional da atividade também permanecem no radar. Na avaliação da ARX Investimentos, o Copom adotou uma comunicação mais benigna em praticamente todas as alterações realizadas no texto. Um dos pontos destacados foi a retirada do termo adicional na referência à desancoragem das expectativas de inflação no balanço de riscos. A instituição também chama atenção para a manutenção da projeção de inflação no horizonte relevante, sem a elevação esperada por parte de alguns agentes do mercado.

Apesar da abertura para a continuidade dos cortes, o Citi Brasil considera mais provável uma pausa no ciclo de redução da Selic, diante da possibilidade de deterioração do cenário inflacionário. A instituição aponta que preços mais elevados de commodities, principalmente petróleo e produtos agrícolas, podem aumentar a pressão sobre a inflação no curto prazo e contribuir para maior desancoragem das expectativas. O cenário para a Selic, portanto, permanece dependente da evolução dos principais indicadores domésticos e externos. A desaceleração da atividade e a moderação da inflação favorecem a continuidade da flexibilização monetária, enquanto o câmbio, as commodities, o petróleo, as expectativas de inflação e os efeitos climáticos sobre os preços de alimentos mantêm o balanço de riscos inclinado para cima. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.